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2 de dezembro de 2008

Atuação sindical dos jornalistas do Ceará têm repercussão nacional

Jornalistas registrados como profissionais de rádio causam polêmica no Ceará

Marina Dias/Redação Portal IMPRENSA

Um dos grandes problemas enfrentados pelo Sindicato dos Jornalistas do Ceará é, sem dúvida, o exercício ilegal da profissão. "A maior demanda vem dos jornalistas de televisão e rádio. Desde 2002, os profissionais de mídia eletrônica do Estado foram obrigados pelas empresas a obter registro de radialista, categoria que não tem formação superior obrigatória", declara Déborah Lima, 37, presidente do Sindjorce desde 2004.

Déborah afirma que os que se recusaram a executar a mudança foram demitidos e que, desde então, as empresas se negam a comparecer à Delegacia Regional do Trabalho (DRT) para qualquer tipo de negociação das campanhas salariais com o Sindicato. "Elas alegam que não temos 'legitimidade' para representar os empregados das empresas de rádio e TV, porque estes são 'radialistas' e não jornalistas. A situação é grave e merece ser denunciada".
A presidente, formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), acredita que a TV Verdes Mares, filiada da Rede Globo, é uma das principais emissoras que sustentam a tese de que não há jornalistas em suas redações. "Pertencente aos herdeiros do empresário Edson Queiroz, sogro do senador Tasso Jereissati (PSDB), a TV Verdes Mares diz que não tem jornalistas, embora seus empregados sejam formados em Comunicação Social/Jornalismo e filiados ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará".

Com os jornalistas registrados como profissionais de rádio e, segundo Déborah, trabalhando mais e ganhando menos do que deveriam, o Sindjorce passou por um momento financeiro difícil. "As contribuições dos jornalistas passaram a ser repassadas pelas emissoras para o Sindicato dos Radialistas, um sindicato que contribuiu, e continua contribuindo, com o plano dos patrões de asfixiar financeiramente o nosso Sindicato".

O Estado do Ceará conta, atualmente, com cerca de 1,7 mil jornalistas, sendo que 1.195 são filiados ao Sindicato. Os baixos pisos, de R$ 1.090 a R$ 1.907, e as extenuantes jornadas de trabalho são os principais problemas enfrentados pela categoria cearense. "Os jornalistas trabalham até 14h diárias, já que só têm horário para entrar e não para sair das redações", afirma Déborah.

Dessa forma, as principais reivindicações do acordo coletivo deste ano vão desde um ganho real de 3%, reajuste acima da inflação, até vale alimentação e adicional pela veiculação da produção em outras mídias. "Os representantes patronais repetem o surrado discurso de crise nos jornais para justificar o corte dos direitos já consolidados, mesmo com as pesquisas apontando para um aumento do número de anúncios nas mídias impressas", declara Déborah.

A jornalista ainda afirma que, cada vez mais, os PJ's estão crescendo no Estado e, além disso, constatou que cerca de 100 jornalistas trabalham sem registro profissional em Fortaleza. Entretanto, Déborah aponta para "um caso mais grave", o da TV União. "A DRT detectou a completa ausência de jornalistas na emissora. A redação é tocada exclusivamente por estagiários. Eles se comprometeram a contratar pelo menos dois jornalistas, mas até agora nada". Déborah declarou ter sido ameaçada pelo dono da emissora, Alberto Bardawil, caso persistisse com as reivindicações. "Ele disse que se uma nova fiscalização da DRT chegasse lá iria ser recebida pelas câmeras e que a TV União denunciaria o sindicato por perseguição. O argumento dele era que a TV não tinha R$ 1.000,00 para pagar um jornalista. Está na hora dos jornais reconhecerem, valorizarem e investirem também em seus jornalistas. Chega dessa conversa de crise nos jornais. Essa choradeira não convence mais ninguém", finaliza.

Comentários

"SEM MONOPÓLIOS..."

Não é o que a TvVM pense, mas o que é a lógica dos fatos, ou melhor, da legalidade das coisas: as profissões de Jornalista e Radialista são regulamentadas, com formações e atribuições bem diferenciadas entre si. Onde há elaboração de noticiários, tem que haver jornalistas. Elementar! O 'primor' de 'cortesia' desse Bardawil aí ñ merece comentário. Deve ser aquele mesmo testa-de-ferro da IBM de Fortaleza? Os 'coronéis' do asfalto e da praia se esquivam da ( i )legalidade manejando nomenclaturas: em Paracuru, Ceará, BR, o assessor de IMPRENSA da Prefeitura ñ é jornalista e acho que nem radialista, mas posa como tal e até compila e vende apostilas para concursos públicos promovidos pela própria municipalidade. Anuncia na rádio comunitária (?) chapa-branca que é crime xerocar as tais apostilas. E haja ética profissional...

Fran Luz - franluz@oi.com.br - 27/11/2007 18:12

"No Estado de São Paulo também..."

Jornalistas que são registrados como radialistas, exercício ilegal da profissão e o excesso de estagiários também acontece em Ribeirão Preto, uma das principais cidades do interior do Estado de São Paulo. Os casos mais graves estão concentrados na TV CLUBE, afiliada a rede Bandeirantes. Por causa da inoperância da DRT local e das constantes ameaças de demissão, os funcionários são obrigados a calarem-se diante do poder supremo do diretor-presidente da empresa, José Inácio Pizani. Este senhor, ex-presidente da ABERT, se acha inatingível e acima das leis e dos acordos trabalhistas. Sem qualquer fiscalização mais severa, ele segue sua administração feita de mandos e desmandos.

LUIZ HENRIQUE PORTO
Dir. da Reg. Rib. Preto do SJSP.
Porto - 27/11/2007 10:12

"É TUDO ISSO E MUITO MAIS..."

...O QUE ACONTECE POR AQUI. CHEFES QUE NÃO SABEM QDO. PARAR DE "SUGAR" O SANGUE DO PROFISSIONAL; EMISSORAS QUE ACHAM QUE A LEI SÓ PODE FUNCIONAR APENAS QDO. ESTÁ AO FAVOR DELAS. É ISSO TUDO E MUITO MAIS!

DANILO AMARAL - 26/11/2007 22:26

Jornalistas paralisam redação do Diário do Nordeste
Site O Jornalista
Fonte: Sindjorce

O dia em que o Diário do Nordeste parou para protestar. A ordem era para não descer, mas a determinação da chefia do jornal do Diário do Nordeste foi solenemente ignorada pelos jornalistas que participaram, na tarde da última terça-feira (20/11), da manifestação da campanha salarial organizada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce). Os colegas paralisaram a redação e desceram para o protesto.

Bom humor contra a usura

Com muito bom humor, os colegas protestaram contra o reajuste de 4,82% oferecido pela empresa. Os jornalistas do Diário permaneceram por quase uma hora na calçada, onde ocorreu a apresentação teatral "Senzala Moderna", roteiro produzido pela Trupe Tramas de Teatro inspirado na pesquisa do Dieese que revelou a dura realidade de 93 profissionais do Diário e do jornal O Povo.

"O senhor quer me dar um aumento de R$ 1,75? Nesse diabo de jornal quanto mais eu trabalho mais lisa eu fico. As coisas para nós jornalistas estão é feias", reclamava Quitéria Estupefalda para o dono do jornal. "Feias? As coisas estão muito é lindas. Eu continuo lhe explorando, o meu lucro a cada hora que passa está aumentando e eu estou muito feliz. Se tiver achando ruim é só pegar o beco. Tá assim de currículo de jornalistas querendo a sua vaga", retrucava o patrão. "Trabalhar aqui todo mundo quer, mas com o aumento que o senhor quer me dar eu só compro um picolé", reclamava Quitéria.

300 Picolés

Durante o protesto, os jornalistas consumiram nada menos que 300 picolés oferecidos pelo Sindjorce. "O sindicato já está pagando para os jornalistas o reajuste oferecido pelas empresas", brincou a presidente Déborah Lima.

Profissionais das emissoras que compõem o Sistema Verdes Mares - TV Verdes Mares (afiliada da Globo), Rádio Verdes Mares e TV Diário -, que têm data-base em janeiro, também se integraram à manifestação dos colegas de impresso.

Campanha Eficaz

A manifestação do Diário foi a terceira da campanha salarial dos jornalistas de jornais e revistas do Ceará, que têm data-base em setembro. A campanha já começou ousada, com uma carreata até a Praia do Futuro em pleno domingo de sol (23/09).

Buzinaço, apitaço, bandeiraço, panfletagem, colagem de adesivos nos carros, distribuição de praguinhas, banda de música, boneco gigante, queima de fogos e até um trio elétrico chamaram a atenção dos banhistas e transeuntes para a luta dos jornalistas. A manifestação começou às 10h00 na Praça da Imprensa e prosseguiu até o fim da tarde, com show de Diego e Banda na barraca de praia Marear. Tudo filmado por turistas que passavam o fim de semana em Fortaleza.

A segunda manifestação ocorreu no pátio do jornal O Povo, na tarde do dia 8 de novembro. A redação ficou vazia por quase uma hora. Editores, repórteres, diagramadores, ilustradores e repórteres-fotográficos pararam para protestar contra o reajuste oferecido pelos patrões. Quatro carros de som, um abacaxi gigante (simbolizando a proposta patronal) e a adesão do movimento sindical marcaram o protesto.

A manifestação no jornal O Povo repercutiu imediatamente na mesa de negociação da campanha salarial. No dia seguinte, as empresas ofereceram o percentual da inflação (4,82%).

"Chegamos ao índice da inflação, agora só temos a ganhar. A nossa vitória depende exclusivamente da mobilização da nossa categoria. E prova disso os jornalistas do Ceará já deram de sobra", avalia a presidente do Sindjorce, Déborah Lima.

A próxima rodada de negociação está agendada para o dia 5 de dezembro, às 14h30min, na DRT.
Postado por autor: sindjorce em   Ação Sindical.  marcador Tags  DiplomaAção Sindical.

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