20 de abril de 2012
Agressão à categoria. E das grandes
Comecei a trabalhar e militar no jornalismo em 2000, ainda como estagiário na produção do Programa Espaço Aberto, do jornalista Messias Pontes, veiculado à época na Rádio Assunção. Desde aquela época acompanho de perto a luta do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Ceará - Messias é dirigente sindical dos mais combativos - pela regulamentação da profissão, pela liberdade de expressão e principalmente, pela valorização da profissão e por condições de trabalho digna de uma categoria que trabalha uma matéria-prima bastante complexa: a informação.
Eis que em pleno Século XXI, sou surpreendido com a informação que circula nas redes sociais de que a presidente do meu Sindicato foi afastada de seu trabalho diário, da redação, por ser dirigente sindical. Sem uma explicação plausível, pelo menos até agora.
Diz a CLT que o dirigente sindical tem imunidade, de acordo com o artigo 543, parágrafo 3º da CLT, e artigo 8º da Constituição Federal, não pode ser dispensado do emprego o empregado sindicalizado ou associado, a partir do momento do registro de sua candidatura a cargo de direção ou representação, de entidade sindical ou associação profissional, até um ano após o final do seu mandato, caso seja eleito, inclusive como suplente, salvo se cometer falta grave devidamente apurada nos termos da legislação. Resta saber se a falta grave que Samira de Castro, presidente do Sindicato dos Jornalistas, cometeu foi ter conseguido, em difícil negociação da campanha salarial, 9% de aumento para a categoria, debatendo à exaustão com representantes dos veículos de comunicação a necessidade de se ter profissionais valorizados para que a marca dos veículos também seja.
O afastamento da Samira da redação é um atentando à legislação (que garante a liberdade de organização sidical) e também, um atentado à categoria de jornalistas no Ceará e até mesmo no Brasil. Já pensou se a moda pega?! (e está pegando, heim!) O detalhe é que a Samira, por opção própria, não se afastou da redação e sua atuação enquanto presidente do Sindicato não comprometeu o seu trabalho, isso porque até prêmio ela ganhou e, com isso, ajudou a valorizar o veículo para o qual ela trabalha.
Há bem pouco tempo vivíamos a ditadura do silêncio. Quem fosse contra o status quo colocado naquele momento sofria consequência que até hoje traumatizaram gerações. Hoje parece que a coisa mudou, temos a palavra, mas quem tem o poder econômico faz questão de se achar no direito de impor sua vontade, mesmo que seja contra a lei. Alô jornalistas! Vamos deixar por isso mesmo? Felizmente temos a palavra e as redes sociais para dizer o que pensamos.
O que aconteceu com a Samira foi uma agressão a todos os jornalistas, independente de cor, raça, opção política, ou o que quer seja. Aquele que estiver imbuído do bom propósito de representar a categoria, corre o mesmo risco. Amanhã poderá ser qualquer outro colega que ocupe a diretoria ou a presidência do Sindjorce. Isso vai ficar assim? A decisão é da categoria.
Lúcio Filho
Jornalista, assessor de imprensa


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