16 de julho de 2008
Jornalismo e Frustração
Mas... que engano! Que sonho quebrado!
Hoje, dois anos depois, sou uma jornalista frustrada, esquecida pelo mercado e condenada a ser eterna foca por não ter experiência.
Na graduação, fiz apenas um estágio. Fazia a assessoria da empresa em que trabalhava sem supervisão de um profissional formado.
Depois que me formei, começou o drama. Distribuir currículos, mil entrevistas, mil oportunidades quase certas e mil "nãos".
Eu ouvia: "Você parece ser boa, tem vontade de trabalhar... Mas infelizmente não se encaixa com o perfil que procuramos. Precisamos de alguém experiente!" Deus, quantas vezes ouvi isso!
Compartilhei com colegas que formaram comigo a mesma crise. A falta de emprego. Muitos jornalistas para poucas oportunidades.
E nesse caminho desde minha colação de grau até hoje, vi muitos colegas com potencial desistindo do jornalismo e partindo para outra área. E eu em minha teimosia continuei insistindo. Comecei minha pós-graduação. Pensei que com esse título a mais teria alguma chance. E nada.
Aí que piora... teve gente que não poderia me pagar porque eu era formada e pós-graduada. Aí começava a outra crise: competir com os estagiários, competir com empresas que contratam a mão de obra barata.
Cheguei a aceitar um estágio, no qual fiquei apenas um mês e pouco. Encontrei um chefe carrasco, que me deu oportunidade porque um conhecido meu pediu a chance. Eu sabia que poderia enfrentar chefes assim. Todos nós estamos sujeitos a isso. Mas aquele jornalista me pegou em um momento frágil e de insegurança. Depreciava meus textos, meu trabalho, meu esforço e meu sonho devido a minha inexperiência. Ficava ao meu lado esperando digitar os textos, para depois rasgá-los. O achei um profissional já desatualizado para o mercado e muitas vezes antiético. Não aceitava que eu emitisse opiniões e chegou a dizer que era para eu procurar outra carreira. Saí de lá arrasada, mas não seria ele que me faria desistir. Se eu fosse tão ruim como ele falava, iria lutar para melhorar. Porque eu era e sou jornalista por amor.
Infelizmente na graduação... Assim como muitos estudantes, errei ao não prestar atenção no estágio que estava fazendo. Querendo ou não, um bom estágio pode ser uma porta para o mercado de trabalho. Um mercado tão cruel e massacrante como o de jornalismo.
Os colegas que estão lendo esse texto hão de concordar comigo que meu caso não é incomum. É uma realidade entre os jornalistas recém-formados.
Falta também por parte dos colegas um pouco mais de apoio moral a pessoas que como eu, que amam a profissão e querem seu lugarzinho no mercado.
Cada vez os dias passam mais me sinto insegura e prestes a desistir do sonho.
Com dois anos de formada, estou ficando velha e desatualizada para o mercado. E que ironia... uma velha inexperiente!
É tanto descaso com o profissional que faltam cursos de atualização de redação jornalística, os meios de comunicação fazem seus cursos de residência para focas. Não seria interessante resgatar profissionais apaixonados pela profissão como eu, ávidos para trabalhar?
Dêem-nos essa chance!
E quantos e-mails recebo de site de jornalismo reivindicando idéias, melhores salários? Que tal colocarem essa questão em pauta? Como vou lutar junto a categoria por melhores salários se nem emprego eu tenho? Ninguém luta por jornalistas na minha situação.
Às vezes, vejo tantos jornalistas ao acaso, que conseguiram um espaço por QI, ou estão lá sem paixão exercendo a profissão. Enquanto eu aqui... uma apaixonada pelo jornalismo, pela notícia, me frustro cada vez mais com essa situação. E prestes abandonar a carreira que escolhi para minha vida por preconceito e falta de oportunidade!
Tem muito jornalista desempregado por aí como eu que quer gritar e trabalhar!
Ou será que é hora de desistir da carreira e enfrentar outros bancos de faculdade simplesmente por emprego e dinheiro?
Eu não nasci para trabalhar apenas por dinheiro. Coloquei em primeiro lugar meu amor ao jornalismo.
Mas minha escolha virou meu carma, um caminho tortuoso e difícil.
É preciso buscar uma solução!
Basta!


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