24 de julho de 2006
Sob fogo inimigo, e amigo, categoria mostra que defende regulamentação
Observatório da Imprensa abre canal para debate da atualização da regulamentação, mas antecipa posição parcial
Sob o pretexto democrático de abrir espaço para o debate sobre o PLC 079/04, que atualiza a regulamentação profissional dos jornalistas e sobre a criação do Conselho Federal dos Jornalistas, o site do Observatório da Imprensa está convidando os interessados a expor suas posições a respeito dos dois temas. É exatamente o que a FENAJ defende: o debate público, democrático, sem a manipulação da grande mídia. Porém, no texto da abertura, a parcialidade dos Observadores é denunciada: "Oriundo da Câmara dos Deputados, o projeto é assinado pelo Pastor Amarildo (PSC-TO), um dos parlamentares acusados de pertencer à máfia dos sanguessugas".
A inclinação é coerente com a postura de um dos seus editores, o jornalista Alberto Dines, que publicou artigo marcado por uma virulência desmedida e confusa contra a FENAJ, o Congresso Nacional, o Governo e as Empresas. E quase nenhum argumento em relação ao conteúdo do Projeto.
O Presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade, enviou mensagem ao site em protesto. Eis a íntegra do texto: "Muito interessante a "imparcialidade" deste Observatório. "Oriundo da Câmara dos Deputados, o projeto é assinado pelo Pastor Amarildo (PSC-TO), um dos parlamentares acusados de pertencer à máfia dos sanguessugas". Sem dúvida, é uma informação crucial para formar uma opinião isenta sobre o conteúdo do projeto, apresentado originalmente na Câmara em 1989, assinado pela ex-deputada e jornalista Cristina Tavares - um símbolo na luta pelos direitos humanos no Brasil. Nota 10 em dirigismo. Tamanha parcialidade é no mínimo contraditória com a "missão" deste espaço. Eu "nunca mais vou ler o Observatório do mesmo jeito".
Globo abre espaço para FENAJ, mas volta atrás
Na mesma linha, esta sim sem qualquer surpresa, tem andado a Rede Globo em relação ao PL de regulamentação dos jornalistas. Depois de conceder espaço, dia 20, no Jornal Nacional, para a Fitert defender seu controle sobre as "mais de 90 funções de radialistas", a direção de jornalismo da Globo, após gestões da Diretoria da FENAJ, decidiu abrir-se também para o contraditório.
No dia seguinte, sexta-feira, 21, às 19h40min, um funcionário da Globo Brasília ligou para a sede da FENAJ: "É para gravar ou pegar uma nota sobre uma lei do governo contra a imprensa", disse ele. Mas para o Jornal Nacional de hoje?. "É não dá mais né? O senhor pode mandar uma nota?". O texto foi feito e enviado às 19h50min. A nota deixava claro que a Federação dos Radialistas mentiu. Os diretores da FENAJ Sérgio Murillo, Fred Ghedini e Valci Zuculoto reuniram-se no dia 19 de maio último com a direção da Federação dos radialistas em São Paulo. Propuseram um acordo. A Fitert pediu tempo para responder. A resposta veio através do Jornal Nacional que, "democraticamente", ignorou a nota da FENAJ.
Favoráveis à sanção do PLC 079/04 abrem larga vantagem em enquete da Revista Imprensa
Já o portal da Revista Imprensa, que também vem dedicando espaço considerável para a cobertura da polêmica criada pelas empresas, promove há dias uma enquete sobre o Projeto da FENAJ, baseado na aspiração expressa dos jornalistas em espaços democráticos de deliberação e debates. Durante dias, o resultado manteve-se praticamente inalterado, com pouca participação, e com larga vantagem aos contrários. O quadro inverteu-se completamente: até às 18h32min desta segunda, 24/07, 82% defendiam a sanção do PLC 079/04, contra 16% favoráveis ao veto.
A verdade é que independente do resultado deste processo - que confiamos será a vitória da categoria - a FENAJ deu, mais uma vez, uma enorme contribuição para o debate público da mídia, suas mazelas, responsabilidades, grandezas, perversidades, interesses públicos e escusos.


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