8 de dezembro de 2011
Jornais não investem em capacitação profissional, dizem 64,15% dos jornalistas de O Povo, Diário e O Estado
Com contraproposta de reajuste linear de 8%, as empresas jornalísticas continuam alegando, de forma falaciosa, que não têm condições financeiras de oferecer um índice decente de reajuste salarial para os profissionais de jornais e revistas. Na sétima rodada de negociação da Campanha Salarial 2011/2012, realizada nesta quarta-feira (07/12), na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE/CE), a postura patronal é de total desrespeito à inteligência dos jornalistas cearenses, que têm observado o crescimento de receitas publicitárias e de investimentos diversos, contrastando com a ausência de estímulo a capacitação profissional dos trabalhadores. 64,15% dos jornalistas que responderam à pesquisa aplicada na base pelo Sindjorce afirmam que os jornais O Povo, Diário do Nordeste e O Estado não financiam nem incentivam os profissional a fazerem cursos de pós-graduação.
Segundo o levantamento, 86,32% dos entrevistados informaram que os três principais jornais de Fortaleza têm feito investimentos em novos produtos, como revistas, cadernos especiais e eventos. Outros 83,46% responderam afirmativamente à pergunta se as empresas investiram em novos equipamentos, reformas, projetos gráficos e industriais. Já 83,51% disseram ter havido aumento da publicação de anúncios e matérias pagas nos veículos impressos da Capital.
“Se as empresas estão investindo em novos produtos, projetos e reformas físicas, por que não melhoram o salário dos jornalistas, cujo trabalho é o responsável direto pelo bom desempenho financeiro e pela credibilidade de suas imagens junto aos leitores?”, questiona a presidente em exercício do Sindjorce, Samira de Castro. Para ela, a contraproposta patronal de 8% (apenas 0,61 ponto percentual acima da inflação, equivalente a R$ 3,64 no contracheque para quem ganha o piso) é injustificável.
Segundo o Dieese, que assessora as campanhas salariais das principais categorias de trabalhadores no Ceará e no Brasil, a classe de profissionais que obteve o menor ganho real em negociação coletiva este ano fechou com aumento salarial acima da inflação de 2%. “É uma categoria da indústria que está enfrentando dificuldades mas, no caso das empresas jornalísticas, não encontramos nenhum indicativo de crise”, afirma Sylvia Guterres, técnica do Dieese.


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