21 de dezembro de 2011
Jornalistas de O Povo, Diário e O Estado passam Natal sem reajuste
Na última rodada de negociação, em nome do bom termo, o Sindjorce apresentou a contraproposta de reajuste de 10% para pisos e demais salários, Reportagem Especial e Seguro de Vida. “Abrimos mão de cláusulas que as empresas têm condições de dar, como entrega do jornal na residência dos jornalistas, vale-refeição/alimentação, permuta das empresas para cursos de capacitação. Tudo em nome de uma negociação que atendesse às expectativas da categoria em termos de reajuste salarial e valorização profissional, como é o caso da cláusula de Gratificação por Qualificação, também negada. Mas os representantes dos dois maiores jornais (O Povo e Diário do Nordeste) sequer querem escutar as reivindicações da categoria”, comenta Samira.
O único argumento do presidente do sindicato patronal, Mauro Sales, advogado do jornal O Povo, é de que as empresas jornalísticas estão passando por "crise" e que a economia brasileira também. Uma tese que se desfaz aos olhos da categoria e da própria sociedade, uma vez que o Diário do Nordeste acaba de lançar um novo projeto gráfico e de inaugurar o estúdio da TV DN, além de lançar publicações, como a terceira edição da revista Gente, e de reformar a redação e todos os banheiros da empresa. “Projeto novo, salário velho! A empresa tem dinheiro para investir na mudança do seu layout mas não quer pagar salário digno a quem faz o produto ser reconhecido nacionalmente”, afirma um jornalista cuja identidade será preservada.
No O Povo, também há investimentos, segundo consulta feita à base, como uma reforma do prédio (ainda em curso) e o lançamento de encartes especiais e novas revistas. “As manchetes dos cadernos de economia desmentem o argumento de problemas da economia nacional. O PIB do Ceará, por exemplo, cresce acima da média nacional. Ou será que os jornais estão mentindo aos seus leitores também?”, questiona o diretor de Ação Sindical, Mirton Peixoto.



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