22 de agosto de 2012
Nota de Repúdio
O Povo repassou ao Departamento de Recursos Humanos a ordem de não deixar o Sindjorce entrar no jornal até o dia 23, o que alimentou entre os trabalhadores o temor de novas demissões. A suspeita foi confirmada em 20 de agosto, quando mais dois jornalistas foram dispensados. Além das dispensas em si, o que mais causou indignação foi o critério de corte adotado pelo jornal: dos cinco jornalistas demitidos, quatro eram aposentados. Ou seja, foram postos na rua exatamente os profissionais mais antigos no ofício, todos com mais de 20, 30, 40 anos dedicados ao jornal.
Se queriam demitir os mais experientes, que pelo menos apresentassem um plano de desligamento voluntário, ouvindo os trabalhadores, oferecendo incentivos e mantendo benefícios como plano de saúde, assistência odontológica e auxilio educação para dependentes. Mas não foi isso o que aconteceu. Os profissionais simplesmente foram comunicados de que o jornal O Povo não mais precisa deles.
Além de repórteres, colunistas, diagramadores e repórteres-fotográficos, também perderam seus empregos funcionários do Financeiro, Recursos Humanos, Publicidade, Banco de Dados, Expedição e Manutenção, passando de 15 o número de pais e mães de família demitidos até o momento.
As demissões não resolvem problemas administrativos e financeiros dos veículos de comunicação, provocados em sua maioria por má gestão de empresas familiares. Só acirram a já tensa relação capital x trabalho em plena Campanha Salarial dos jornalistas de impresso. É inaceitável que o mesmo jornal que tem investido pesado em novos produtos, equipamentos, projetos gráficos e eventos apresente agora a “contenção de despesas” como justificativa para as demissões.
Tão preocupante quanto ver jornalistas respeitados serem descartados pelo mercado é não saber se estas vagas de trabalho serão ocupadas por profissionais mais jovens, com menores salários e sem a experiência dos demitidos, ou se estes empregos serão simplesmente extintos por “enxugamento de folha”. Nos dois casos, o maior prejudicado será o Jornalismo cearense.
Central Única dos Trabalhadores – CUT
Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria Gráfica – CONATIGR
Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará – Sindjorce
Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Gráfica do Ceará - Sintigrace


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