17 de novembro de 2011
Parlamentares subscrevem abaixo-assinado pelo vale-refeição para jornalistas
Depois de 82,51% dos jornalistas dizerem NÃO à proposta patronal de ganho real zero, a Campanha Salarial 2011/2012 dos empregados de jornais e revistas ganha o apoio da sociedade. No último dia 11, o líder do Governo no Congresso, senador José Pimentel (PT), o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Acrísio Sena (PT), e a jornalista Adísia Sá subscreveram abaixo assinado, encabeçado pelo Sindjorce e pela FENAJ, que reivindica vale-alimentação para os jornalistas. A maioria dos jornais não oferece ambiente adequado para os profissionais se alimentarem, como pode ser constatado na foto ao lado feita no O Povo, onde os trabalhadores comem de pé e usam o muro da empresa como mesa.
"A situação é degradante. O que salva os jornalistas do O Povo é a banca de revistas da calçada e o famoso lanche do Edvar. De dia, os jornalista comem no pé no muro. De noite, de pé no corredor do jornal. E no fim de semana ou feriado, quem não trouxer lanche de casa ou não tiver dinheiro para pedir comida de fora trabalha com fome mesmo", denuncia a presidente em exercício do Sindjorce, Samira de Castro. "O mais irônico é que o jornal acaba de construir um santuário bem ao lado da banca. Deve ser para os jornalistas 'agradecerem' à Nossa Senhora o pão de cada dia", completa a tesoureira da FENAJ e do Sindjorce, Déborah Lima.
A negativa do vale pelas empresa contrasta com os investimentos em reformas nas sedes do O Povo e Diário do Nordeste. No primeiro, ainda estão em andamento as obras de construção de um prédio novo no pátio da empresa. No segundo, a redação e os banheiros acabam de ser reformados, com troca de piso por porcelanato, bancadas e divisórias de granito. Também foi construído de um estúdio de vidro na redação e o editor chefe ganhou uma sala nova, toda remobiliada e decorada.
Diário: se tiver na rua fica com fome.
No caso do Diário do Nordeste, o refeitório da holding do Grupo Edson Queiroz tem horário limitado para almoço de 11 às 13h. "Acontece que o jornalista não pode deixar a apuração de uma matéria pela metade para se deslocar até o refeitório, comer e voltar para rua", diz Samira de Castro. Com o vale refeição/alimentação, os profissionais ganhariam mobilidade na condução das pautas. No caso da cantina do Diário, os preços elevados e a baixa qualidade dos produtos inviabilizam refeições decentes para os trabalhadores.
Na ponta do lápis, o impacto financeiro do vale refeição - R$ 10,00 por dia - seria de R$ 220,00 mensais por jornalista beneficiado. Para alimentar uma redação de 100 jornalistas, os jornais investiriam R$ 22.000,00 que poderiam ser abatidos no Imposto de Renda da empresa que aderir ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). "O governo incentiva as empresas que se preocupam em proporcionar uma alimentação decente para os trabalhadores, o problema é que os jornais não se importam se os jornalistas comem bem ou não. Na verdade, não se importam nem se os trabalhadores comem. Essa é a realidade", diz Déborah Lima.









imprimir
enviar por email





