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13 de maio de 2009

Homenagem antecipada: colegas expressam admiração pela jornalista Izabel Pinheiro

A chefe de reportagem do Diário do Nordeste, Izabel Pinheiro, que será homenageada pelo Sindicato dos Jornalistas no Ceará, na próxima terça-feira, recebe uma homenagem prévia por meio de depoimentos de colegas de profissão. A homenagem oficial, no dia 19 de maio, ocorrerá durante sessão solene no plenário da Câmara Municipal de Fortaleza, em comemoração ao Dia do Jornalista (7 de abril) e aos 56 anos do Sindjorce (26 de maio).

A partir desta quarta-feira, o Sindjorce divulga textos que fazem uma homenagem antecipada a Izabel Pinheiro, Gervásio de Paula e Guálter George. Os três foram escolhidos pela diretoria da entidade em função da trajetória profissional e da postura em defesa da profissão, dos jornalistas e das entidades que os representam.

Izabel Maria Pinheiro Maciel, 61, nasceu no Acre, na cidadezinha de Tarauacá, a 380 quilômetros de Rio Branco, mas veio ainda pequena para o Ceará, onde se formou em Comunicação Social e exerce o Jornalismo, há exatos 35 anos, de forma admirável, com discrição e competência. Além do Diário do Nordeste, trabalhou no jornal O Povo e foi assessora do Governo do Estado em fundações da área social e da então Secretaria da Ação Social.

Pela avaliação que os companheiros de Jornalismo fazem de Izabel Pinheiro, é possível ter a compreensão do que ela representa como profissional e como pessoa. "Ela é a pessoa mais querida que tenho no Diário do Nordeste", diz a jornalista Mozarly Almeida, cujos primeiros contatos com Izabel foram em coberturas de pautas. Depois, Izabel assumiu a Chefia de Reportagem do jornal, cargo que ocupa desde 1992, e Mozarly passou pela equipe de Reportagem e pela editoria de Cidades, onde está hoje tendo a oportunidade de trabalhar diretamente com ela.

"É uma profissional séria, firme e ética, que engrandece o jornal, a quem eu prezo muito por ser muito transparente. Não deixa dúvida sobre o que pensa", ressalta Mozarly. Ex-secretária geral do Sindjorce, ela destaca ainda que Izabel, mesmo sendo chefe de reportagem, sempre esteve presente nas lutas da categoria. "Ela nunca temeu mostrar seus posicionamentos. A chefia não restringiu qualquer atividade classista, sindical".

Atual primeira vice-presidente da Associação Cearense de Imprensa (ACI), Izabel também já foi diretora do Sindjorce, de 1980 a 1986. No período, teve como colega de diretoria o jornalista Vicente Mota, que trabalhou com ela nos jornais O Povo e Diário do Nordeste, como diagramador. "Eu tive um contato sempre muito próximo com ela. Participamos juntos de muita luta e também muita brincadeira", recorda. Na década de 1980, os dois faziam parte de um grupo de reisado que saía pelas casas de colegas jornalistas.

"É uma pessoa superíntegra e prestativa. Eu nunca vi ninguém precisar da Izabel para ela dizer um não. E tem uma simplicidade muito grande, não carrega em si o orgulho da função que exerce, do papel e da importância que tem. Ela atende todos no mesmo patamar, e na hora que alguém precisa, está sempre pronta a ajudar e mobiliza outras pessoas", aponta Vicente Mota, para quem, em resumo, Izabel é uma pessoa muito especial.

A mesma sensação sobre ela é despertada nas novas gerações do Jornalismo. Em contato com Izabel Pinheiro desde 2006, como estagiária da editoria de Cidades do Diário do Nordeste, a jornalista Janine Maia vê a chefe de reportagem como um exemplo a ser seguido. "Para quem está começando na profissão, em uma redação de jornal, ela é um exemplo e um estímulo. É uma profissional muito compenetrada, justa, responsável e ética. Está aí há muito tempo e não se corrompeu", observa Janine.

"Com o ideal de melhorar o que existe ao nosso redor"

Era para ser apenas uma simples coleta de dados básicos para compor um daqueles perfis de homenageados. Mas as respostas encaminhadas por correio eletrônico pela chefe de reportagem do Diário do Nordeste ao Sindicato dos Jornalistas foram além das expectativas e merecem ser compartilhadas na íntegra pelas diferentes gerações do Jornalismo. A seguir um pouco da história de Izabel Pinheiro e das visões que ela tem sobre a profissão. Momentos de reflexão e de emoção.

Qual a data do seu nascimento?


4 de abril de 1948.

Quando você deixou Tarauacá e veio para Fortaleza? Como foi essa mudança? Seus pais eram cearenses?


Meu pai morreu em 1952, no Acre, com problemas cardíacos. Ele, que era amazonense, e minha mãe sonhavam vir para Fortaleza, onde moravam outros tios e era a cidade natal de mamãe, porque queriam dar aos filhos a oportunidade de estudar. Assim, dois anos após ficar viúva, minha mãe, num gesto de muita coragem, veio para cá com seis crianças com idades entre quatro e 13 anos. Com a ajuda dos cunhados e do meu padrinho de batismo, minha mãe conseguiu nos manter; ainda que muito modestamente, nos colocar para estudar, sempre em escolas públicas; e os irmãos mais velhos começaram a trabalhar logo, meio expediente para não atrapalhar os estudos. Quero aproveitar a oportunidade para prestar uma homenagem à minha mãe, Albeli Pinheiro Cavalcante Maciel, que faleceu em 1998, aos 89 anos, pelo destemor com que enfrentou o desafio de criar e educar os filhos, dedicando a nós o seu amor, a sua energia, o seu exemplo e os seus conselhos. Ela foi uma vencedora, ainda com maior mérito se levarmos em conta que mais de 50 atrás a vida era muito difícil para uma viúva, dona de casa, cuja renda dependia da cotação e venda da borracha, já que ela herdara uma parte do seringal que foi do seu pai, e esse produto, após a II Guerra Mundial perdeu muito do seu valor.

Quando você se formou em Comunicação? Foi pela UFC?


Sim, sou formada pela UFC. A colação de grau da nossa turma foi no dia 16 de dezembro de 1972.

Quanto tempo e em que período você trabalhou no O Povo? Que função exerceu lá?


Trabalhei no O Povo de maio de 1974 a fevereiro de 1987. Foi um período de muito aprendizado, do travar conhecimento com pessoas a quem respeito e admiro até hoje, como o Flávio Ponte, meu chefe e amigo, o Antônio Pontes Tavares, o Morais Né, o Durval Aires, o José Raimundo Costa - "seu" Costa, meu conterrâneo e que me transmitiu lições importantes para a minha vida e o meu trabalho -, o Pádua Campos e o Demócrito Dummar, por quem tenho respeito e gratidão, todos já em outro plano. Não posso deixar de mencionar o professor J.C Alencar Araripe, de quem partiu o convite para que eu fosse para O Povo e a quem sou muito grata. Lá fiz bons amigos, com os quais até hoje mantenho contato, ainda que não muito freqüentes, porque a maior está em outros locais de trabalho. Nos quase 13 anos no O Povo, fui repórter, chefe de reportagem, editora de Geral, da revista Domingo do Povo (uma espécie de Vida & Arte de 25 anos atrás) e do Segundo Caderno. Também fui pauteira e copidesque durante curto período.

Há quanto tempo trabalha no Diário do Nordeste? Além de chefe de reportagem, que funções ocupou?


No Diário do Nordeste, inicialmente fui editora de Cidades, de fevereiro de 1987 a março de 1988, passei um tempo fora da redação, e estou na Chefia de Reportagem desde abril de 1992.

A única assessoria que você exerceu durou quanto tempo? Em que período?


Fui funcionária do Governo do Estado, como assessora de imprensa, de janeiro de 1984 a dezembro de 1997, em fundações da área social e da então Secretaria da Ação Social, que hoje corresponderia à Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social.

Antes de ser vice-presidente da ACI, você já havia integrado alguma direção da ACI e do Sindjorce? Quando?


Integrei a diretoria do Sindjorce nas gestões da jornalista Ivonete Maia, entre 1980 e 1986. Também fui da diretoria da ACI, de setembro de 1989 a setembro de 1992, como primeira secretária, e agora ocupo a primeira vice-presidência, igualmente com a Ivonete, de quem me orgulho de ter como amiga.

Prêmios conquistados, homenagens recebidas ou livros escritos?


Como prêmio por trabalho jornalístico, ganhei um concurso promovido pelo extinto Bptran, com matéria sobre trânsito. Como passei relativamente pouco tempo como repórter, não participei de muitos concursos. Também não recebi homenagens oficiais, mas sou muito grata pelo carinho e a generosidade com que muitos colegas me tratam. Essas são homenagens cuja importância nem sei mensurar. Quanto aos livros, já pensei em escrever sobre as coisas curiosas que vivemos em nossa profissão, mas ainda não tive disposição para colocar nada no papel... nem no computador.

Um momento da profissão que você faria questão de relembrar?


Bom, relembro com saudade alguns momentos vividos no início da profissão, quando a gente sentia um entusiasmo que hoje não vejo na maioria dos jovens que estão concluindo seu curso de Comunicação ou começando sua vida profissional. Lembro uma ocasião, no ano em que entrei no O Povo, que fui designada para cobrir a festa de São Francisco, em Canindé. O fotógrafo era o Manuel Cunha, veterano, experiente. Fomos de jipe na véspera do encerramento. Logo que chegamos a Canindé, por uma estrada inacreditável de tão ruim, fomos aos pontos estratégicos: abrigo dos romeiros, delegacia, basílica etc. Depois, fomos à secretaria da igreja pedir uma máquina datilográfica e um local para redigir a matéria que o motorista deveria trazer para Fortaleza, a fim de sair no dia seguinte. O superior do convento foi muito solícito, nos conseguiu o que pedimos e ainda pediu a uma família de devotos de São Francisco que me acolhesse por uma noite. Conseguir hotel, naquele dia e naquela época, nem pensar. Enfim, após concluído o trabalho e despachado o material, o motorista veio para Fortaleza e, só então, fomos pensar em almoçar, já quase de noite. No dia seguinte, voltamos com outras matérias novamente de jipe e muito solavanco. O mais gratificante foi ver todo o material publicado sem alteração. Outra cobertura também trabalhosa foi quando da construção do teleférico de Ubajara, que acompanhamos desde o início até a inauguração, indo várias vezes àquele município para mostrar o andamento da obra. Quando vejo as facilidades de hoje, com laptop, câmera digital e outros recursos, quase duvido do que conseguíamos com tão pouco.

Tem mais alguém na família que seja jornalista? Quantos irmãos? Filhos?


Minha família, hoje, é constituída pelos meus cinco irmãos - Terezinha, Joaquim, Ana, Abel e Jesus, por ordem de nascimento (eu sou a penúltima da fila) -, doze sobrinhos e dois sobrinhos-netos, dois encantos de crianças, o Arthur, com cinco anos, e a Thaíssa, com quase cinco. Não tive filhos. A cada dia que passa, mais acredito que a família é a parte mais importante da vida das pessoas, é o apoio nas horas difíceis, a alegria nas comemorações, a riqueza no compartilhamento, enfim, a causa e o efeito dos nossos atos. Eu me dou muito bem com meus irmãos, gosto de estar com eles, de discordar e até discutir algumas vezes, mas sem a menor intenção de ferir, de magoar. Só mesmo de manifestar o que sinto. Também aceito as opiniões contrárias, assim como as particularidades de cada um. Dentre os sobrinhos, uma optou pela Comunicação, a Renata, minha afilhada, que vai me representar por ocasião da homenagem, já que estarei viajando. Espero que ela abrace com seriedade essa profissão, que se realize como jornalista e tenha orgulho da sua atividade. Ela tem potencial para isso.

Visão sobre o jornalismo.


Da época em que comecei a trabalhar em jornal até hoje, o fazer jornalístico passou por muitas mudanças, ganhou novas nuances, criou múltiplas oportunidades de atuação, mas, na essência, permanece o desejo de levar ao mundo o que acontece a cada instante, praticamente anulando distâncias e unindo os povos. É esse objetivo que gostaria que permanecesse, sendo praticado com ética, com espírito profissional, com o ideal de melhorar o que existe ao nosso redor. O jornalismo é uma atividade que merece ser valorizada e realizada com amor, dedicação e compromisso com a verdade.

Algo a acrescentar?


Quero agradecer ao Sindjorce essa homenagem e lamentar não estar presente para recebê-la. É algo muito significativo para mim e dedico a alegria desse momento à minha mãe, a quem devo o que hoje sou.
Postado por autor: sindjorce em   Entrevistas.  marcador Tags  Dia do JornalistaHomenagem.

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