26 de novembro de 2010
Organização produtiva atenta contra a saúde dos trabalhadores
Em evento promovido pela CUT/CE, pesquisadores, professores, poder público e movimento sindical debatem as relações entre trabalho e saúde mental
Assédio moral é a doença programada pela racionalidade produtiva, segundo a professora Petilda Vazquez, doutora em Ciências Sociais e pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares Sobre a Mulher, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ela foi uma das palestrantes do I Seminário Cearense Saúde Mental e Trabalho, evento que começou nesta quinta-feira (25/11), no auditório do Sebrae/CE, e prossegue hoje, das 8 às 18h. “Estamos abraçando a ideologia da competência, da qualidade total, que pregam a multivalência, a multifunção...E estamos ficando sem salário e sem juízo”, afirmou Petilda.
“O trabalho contemporâneo, precarização e saúde mental” foi o tema do painel de abertura do evento, que contou com a presença da coordenadora do Programa em Pós-Graduação em Psicologia da Universidade de Fortaleza (Unifor), professora Tereza Glaucia Rocha Matos; de Petilda Vazquez; e do secretário da saúde do Trabalhador da CUT-CE, Roberto Luque. Para Petilda, problemas como LER/DORT e acidentes de trabalho são consequências do adoecimento psíquico já instalado.
Diante de questões relacionadas à saúde da categoria , o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) considera positiva a inclusão de uma comissão paritária de saúde na Convenção Coletiva de Trabalho de Jornais e Revistas. “É um primeiro passo para aferir as condições de saúde dos trabalhadores, que são acometidos por depressão, doenças ocupacionais como LER/DORT e até alcoolismo”, comentou a secretária-geral do Sindjorce, Samira de Castro. Além dela, participam do seminário o presidente, Claylson Martins; a diretora de Administração e Finanças, Deborah Lima; e o diretor executivo, Evilázio Bezerra.
Levantamento realizado nas redações dos jornais O Estado, O Povo e Diário do Nordeste, no mês de outubro, revelou que 61,39% dos trabalhadores apresentam problemas de saúde. Dores nas costas, pescoço e articulações lideram o ranking. Logo depois, surge estresse, ansiedade, problemas de visão, dores nos braços, pernas e articulações, dores de cabeça, depressão e palpitações. “Nossos formadores de opinião estão doentes e, justo eles, que dão voz a tantas categorias, não podem ser ouvidos ou se expressar na grande mídia”, frisou Samira de Castro.
O presidente da CUT/CE, Jerônimo do Nascimento, ressaltou a importância do conjunto da sociedade discutir o tema. “São muitos os problemas que os trabalhadores enfrentam todos os dias e que repercutem na sua saúde mental. O Seminário Saúde Mental e Trabalho é uma realização da CUT-CE e entidades filiadas, em parceria com a Fundacentro Pernambuco, Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Ceará (SRTE/CE), Centro Estadual de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) e Laboratório de Estudos sobre o Trabalho da Universidade de Fortaleza (Unifor).


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