31 de outubro de 2011
30 anos após a I CONCLAT, o movimento sindical tem muito a avançar
No dia do aniversário de 66 anos do ex-presidente Lula, comemorado em 27 de outubro, gerações de dirigentes sindicais se encontraram, em mais uma edição do CineJorce, para assistir ao filme “30 anos depois, Lula relembra a 1ª CONCLAT”. Metalúrgicos, gráficos, bancários, professores, vigilantes, economistas, advogados e jornalistas divergiram sobre os rumos do movimento sindical, durante debate após a exibição do filme, mas todos concordaram que a 1ª CONCLAT – Conferência Nacional da Classe Trabalhadora - foi um divisor de águas na história do sindicalismo brasileiro.
O debate contou com as participações da professora Rosa da Fonseca, primeira e única mulher a presidir a Central Única dos Trabalhadores no Ceará (CUT-CE), do delegado da 1ª CONCLAT pelo Ceará e então líder metalúrgico, Francisco José Bezerra Lira, do presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, Carlos Eduardo Bezerra, e do advogado trabalhista Carlos Chagas, assessor jurídico do Sindjorce.
“Se aparecer umas muletas pra cima aí (no filme), sou eu”, brincava Lira, lembrando ter participado da 1ª CONCLAT com o fêmur quebrado. Ele relembrou o “Novo Sindicalismo”, formado por dirigentes combativos que questionavam a estrutura sindical vigente, e criticou “os pelegos” que a defendiam.
Concepções antagônicas de movimento sindical
Rosa da Fonseca explicou que eram duas as concepções em disputa durante a CONCLAT: a dos que defendiam o sindicalismo de inspiração fascista e a dos que queriam democratizar a estrutura sindical no Brasil, até hoje inspirada na Carta del Lavoro de Mussolini. “Não concordo com o Lula quando ele diz (no filme) que o movimento sindical avançou. Pode ter avançado na organização dos trabalhadores, mas no restante houve um verdadeiro retrocesso”, avaliou.
O advogado trabalhista Carlos Chagas concordou, lembrando que os três pilares que sustentaram o sindicalismo durante a ditadura militar continuam inabalados, em plena democracia. “Unicidade sindical, imposto sindical e o poder normativo da Justiça continuam vigentes. Desse ponto de vista, não houve qualquer avanço no modelo de sindicalismo”, afirmou.
Já o presidente dos Sindicatos dos Bancários, Carlos Eduardo Bezerra, apontou avanços no movimento sindical. “As greves dos dois últimos anos comprovam isso. Hoje há liberdade de organização”, afirmou.


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