10 de setembro de 2009
77% dos reajustes do primeiro semestre de 2009 foram superiores à inflação
A crise anunciada e tão chorada pelas empresas brasileiras em 2008 não repercutiu negativamente no resultado das campanhas salariais do primeiro semestre de 2009. Ao contrário, os trabalhadores obtiveram conquistas maiores. O balanço das negociações dos reajustes salariais feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) demonstra que, de janeiro a junho de 2009, 77% dos acordos fechados no Brasil ficaram acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), principal índice inflacionário utilizado nas negociações salariais. Durante o ano de 2008, esse índice havia ficado cinco pontos percentuais abaixo, 72%.
Outro dado que merece destaque é que o percentual de negociações com reajustes iguais ou acima da inflação também subiu. Foi de 87% nos 12 meses de 2008 e saltou para 93% nos seis primeiros meses de 2009. A análise levou em conta 245 categorias com data-base no primeiro semestre de 2009. De acordo com o relatório do Dieese, “houve significativa redução da proporção dos reajustes insuficientes para recuperar o poder de compra dos salários em 2009”. Um total de 13,1% dos acordos de 2009 ficou abaixo do INPC, enquanto no primeiro semestre de 2009 apenas 7,3% não alcançaram esse índice.
“Houve impacto maior da crise na indústria, especificamente no setor automotivo e nos setores ligados à exportação. O que se observa é resultado bastante assemelhado ao ano anterior. A série histórica demonstra que os resultados do segundo semestre repetem os dos primeiro. Os indicadores nacionais demonstram que a indústria voltou a reagir positivamente e o que se espera é que os resultados do segundo semestre sejam semelhantes ou melhores”, explica o economista e supervisor técnico do Dieese no Ceará, Reginaldo Aguiar.
O cenário positivo para os trabalhadores é reforçado também pelo crescimento da ocorrência de aumentos reais que superaram a inflação em mais de 4%. Apenas 0,8% dos acordos haviam alcançado esses resultados em 2008. No primeiro semestre de 2009, os reajustes que ultrapassaram o INPC em mais de 4% chegaram a 3,2% do total.
O documento divulgado pelo Dieese em agosto deste ano conclui que “é preciso destacar a importante atuação das entidades sindicais dos trabalhadores, que lograram obter em 2009 a elevação do patamar mínimo dos reajustes salariais, expresso pela redução do número de negociações com reajustes inferiores à inflação”. De acordo com o relatório, mantido esse quadro, o que se espera é que os resultados para os reajustes salariais sejam ainda mais positivos no segundo semestre de 2009.


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