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Aquém das Expectativas: patronato oferece reajuste de R$ 68,92 no piso

O que você consegue comprar com R$ 68,92 a mais no seu contracheque no fim do mês? Vá fazendo as contas, pois este valor, que corresponde a apenas R$ 2,29 por dia, representa o aumento que o patronato ofereceu para o piso da categoria, na última reunião da Campanha Salarial de Impresso 2010/2011, ocorrida na sexta-feira (8/10), na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Ceará (SRTE-CE).


O presidente do sindicato patronal, Mauro Sales, afirmou que as empresas não têm condições de bancar reajuste além de 5,33% para o piso, mantendo a proposta de 5% para demais salários e cláusulas econômicas (seguro e reportagem especial). Os empresários não admitem discutir o Vale Refeição/Alimentação. Quanto às cláusulas sociais (Saúde do Trabalhador e Capacitação), continuam negando sua inclusão na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).


O índice proposto pelo patronato representa a reposição da inflação acumulada mais um ganho real de 1% no piso da categoria, hoje em R$ 1.293,00. Com os 5,33%, o valor da remuneração básica para o profissional com jornada diária de cinco horas de trabalho se elevaria a R$ 1.361,92. A mediadora da SRTE, Jeritza Jucá, havia proposto, em reunião anterior, a correção de todos os salários da categoria em 5,5%, ampliando o piso a R$ 1.364,12 e representando ganho real de 1,16%.


Até agora, as contrapropostas oferecidas pelo patronato estão muito aquém das reais necessidades da categoria, além de serem uma afronta, diante da atual conjuntura econômica nacional, extremamente favorável ao setor produtivo, o que vem se refletindo em melhores acordos salariais para diversas categorias no país, segundo o Dieese. A economia cearense está crescendo acima da média nacional. Basta abrir as páginas dos principais jornais do Estado para constatar que aumentou o número de anúncios, sobretudo por conta da Copa do Mundo e das eleições.



NEGATIVAS INCONSISTENTES
Conjuntura favorece reajustes maiores

A desculpa de que as empresas não podem bancar um reajuste maior não cola. Em 2009, era a crise financeira, que sequer chegou ao Brasil. "Agora, o que os patrões argumentam é simplesmente o fato de a maior parte da categoria ganhar o piso", afirma o presidente do Sindjorce, Claylson Martins. Ele acrescentou que, em anos anteriores, com o dólar em patamares mais elevados (afetando o preço do papel jornal) e outros entraves conjunturais, as empresas concederam reajustes, em valores, acima de R$ 100,00. "Ou seja, a negativa para ampliar esse reajuste que representa apenas R$ 68,92 é totalmente improcedente", frisou.


A negativa das questões sociais é ainda mais inconsistente. Segundo Mauro Sales, não há porque colocar na CCT de impresso cláusulas sobre capacitação profissional e saúde do trabalhador. "Podemos discutir isso fora da CCT, com comissões paritárias, com agendas pré-estabelecidas", argumentou. No entanto, a comissão paritária, acordada após a campanha salarial anterior, nunca funcionou. "Não houve uma reunião sequer, por motivos diversos, que não queremos aqui discutir, mas temos todos os ofícios para comprovar que estes encontros foram adiados pelos patrões. Desta forma, a proposta patronal não nos atende", argumentou o presidente do Sindjorce.


Quanto ao Vale Refeição/Alimentação, que o patronato sequer debate na mesa de negociação, Claylson Martins, ressaltou o objetivo desse tipo de benefício não é só garantir ração para o trabalhador. "É necessário dar a ele o direito de escolher onde e com o que se alimentar", explicou. Profissionais que trabalham em trânsito (se deslocando), como os jornalistas, precisam ter esse direito. "Se a pessoa estiver fazendo uma pauta do outro lado da cidade tem de voltar para a empresa para fazer a refeição?", questionou. Vale lembrar que a empresa pode ser incluída no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), gozando de 4% de desconto no imposto devido.



SEM CRISE
Diário e O Povo lançam novas publicações

Ao mesmo tempo em que se negam a conceder reajustes salariais razoáveis aos jornalistas, o Diário do Nordeste e o jornal O Povo lançaram, recentemente, novas publicações. No primeiro caso, a revista Gente, chegou ao mercado oficialmente no dia 24 de setembro. Conforme matéria do jornal (edição de 25/09/2010), "a publicação foi idealizada para ser um referencial no mercado editorial cearense a partir de seu conteúdo abrangente, que valoriza artes em geral, culinária, sociedade, economia, esportes, história, entre outras temáticas".


Segundo informações obtidas no mercado publicitário, uma revista do porte da "Gente", que possui 196 páginas, deve ter movimentado cerca de R$ 350 mil em venda de anúncios. Com tiragem de 10 mil exemplares, a publicação tem preço de capa de R$ 14,00. Ou seja, se toda a tiragem fosse vendida - o que normalmente não acontece - o Diário do Nordeste faturaria mais R$ 140 mil com a nova publicação.


Já o Grupo e Comunicação O Povo lançou, no dia 29 de setembro, a revista "Buchicho Lounge 2010", com 192 páginas. Segundo matéria publicada no site do jornal, "em sua 2ª edição, a revista traz entrevistas com cirurgiões e dermatologistas IN, além dos VIPs da cidade e muito mais". A publicação está nas bancas pelo preço de R$ 12,90.


"Há dois anos, as empresas diziam estar em crise e modernizaram seus parques gráficos. Hoje, não há motivos para falar em problemas. Tanto que lançaram estes dois novos produtos. Mas continuam insistindo em não melhorar os índices de reajustes oferecidos aos jornalistas", comentou o presidente do Sindjorce, Claylson Martins.


Postado por autor: sindjorce em   Sem categoria.  marcador Tags  campanha salarial de mpressoimpresso 2010/2011.

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