25 de novembro de 2011
Campanha Salarial de Impresso: empresas oferecem reajuste de R$ 3,64 por dia para piso
O que você consegue comprar com cerca de R$ 3,64 por dia? Vá fazendo as contas, pois este valor equivale à proposta de reajuste de 8% para o piso salarial de jornais e revistas, oferecida pelo patronato na última reunião da Campanha Salarial de Impresso 2011/2012, ocorrida na sexta-feira (25/11), na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Ceará (SRTE-CE). O índice equivale a R$ 109,12 no fim do mês. "Não dá nem para comprar a cesta básica calculada pelo Dieese em Fortaleza, que foi de R$ 198,68 em outubro”, afirma a presidente em exercício do Sindjorce, Samira de Castro.
Para as outras cláusulas econômicas (salários acima do piso, Reportagem Especial e Seguro), o presidente do sindicato patronal, Mauro Sales, sem nenhum constrangimento, ofereceu reajuste de 7,5% - pouco acima da inflação do período (7,39%). “Há uma decisão das (empresas) filiadas (ao Sindjornais) de não aceitar cláusulas que representem impacto financeiro”, afirmou o advogado do jornal O Povo. Isto inclui a cláusula de Gratificação por Qualificação (para quem possui MBA, especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), que os jornais não entendem como investimento necessário à melhoria do produto final e sim como ônus financeiro.
Proposta aquém das necessidades dos jornalistas
“Chegamos à sexta rodada de negociação com uma proposta muito aquém das necessidades da categoria. E isto não é dito por nós, dirigentes sindicais, e sim pela base, que já demonstrou insatisfação não só com o reajuste oferecido – diante da boa condição econômica dos jornais – como pelo descaso patronal com as outras reivindicações, conforme demonstra pesquisa feita pelo Sindjorce nas três redações de impresso (O Povo, Diário do Nordeste e O Estado). Segundo os prepostos dos jornais, as empresas não querem discutir outras cláusulas por questões políticas”, afirma Samira de Castro.
Para a presidente em exercício do Sindjorce, o discurso dos jornais em reconhecimento ao jornalismo de qualidade feito pelos profissionais do Ceará é da porta das empresas para fora. “Os dois maiores veículos impressos do Estado recebem premiações nacionais todo ano, o que revela a expertise dos seus jornalistas, a sua dedicação e até os investimentos próprios que estes trabalhadores fazem para uma melhor qualificação. Tudo isto deveria ser revertido em salários dignos e condições de trabalho decentes”, argumenta Samira de Castro.


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