26 de outubro de 2010
Cantina inacessível reforça necessidade do vale refeição
A recente mudança na administração da cantina do Sistema Verdes Mares, onde funcionam as redações do jornal Diário do Nordeste, das TVs Diário e Verdes Mares e da Rádio Verdes Mares, é prova irrefutável da urgência da inclusão do vale alimentação/refeição na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos jornalistas de mídia impressa e eletrônica do Estado. Antiga reivindicação dos funcionários destes veículos, a cantina da empresa, finalmente, melhorou. O que deveria ser motivo de comemoração, no entanto, não o é. A direção do Grupo Edson Queiroz resolveu mudar o permissionário do espaço, colocando, agora, a mesma empresa que atua na Universidade de Fortaleza (Unifor).
A consequência da mudança foi uma majoração de preços absurda, tornando a alimentação ali servida inacessível aos trabalhadores. De acordo com um funcionário do Diário do Nordeste, que não será identificado por motivos óbvios, a cantina vinha sendo alvo de críticas há meses. "Quem trabalha à noite recebia uma quentinha, do mesmo fornecedor, ou um vale de R$ 4,00 para comprar lanche na cantina. O problema é que, à medida que o mês ia passando, os produtos iam acabando. Tinha dias que nem um bombom era possível comprar", disse.Além do problema do sortimento, a cantina pecava na qualidade de alguns itens. "Às vezes, a canja estava tão gordurosa que a gente passava mal no outro dia", completou um funcionário da TV Verdes Mares. Os momentos mais críticos para quem dependia do local para se alimentar eram nos fins de semana e feriados. O antigo permissionário justificava, dizendo que a empresa só o pagava com mais de 30 dias de atraso.
Após meses de queixas dos trabalhadores, o grupo resolveu mudar de fornecedor. Muita gente desconfiou da medida. E com razão. Com o novo permissionário, os preços foram todos majorados. "Um pão passado custava R$ 0,50 e passou para R$ 1,00", informou um funcionário da Rádio Verdes Mares. Ou seja, um simples carioquinha passado teve aumento de 100%. O salgado passou de R$ 1,70 para R$ 2,50 (47% de elevação). "É um absurdo! Pedíamos melhoria da qualidade, mas com produtos acessíveis aos nossos bolsos. Da forma que está, não temos condições de fazer um lanche", disse um trabalhador da TV Diário.
Para os que trabalham à noite, restou apenas a quentinha feita pelo antigo fornecedor. A empresa não liberou vale na "nova" cantina. E se o fizesse, pouco daria para o trabalhador se alimentar com os R$ 4,00. Vale destacar que a empresa possui um restaurante que serve almoço para todos os trabalhadores do Grupo Edson Queiroz lotados na Holding e no Sistema Verdes Mares (estes se forem optantes do desconto em folha de R$ 15,00 por mês), gozando de benefícios fiscais do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) e respeitando as convenções coletivas de trabalho de diversas categorias profissionais.
A implantação de vale alimentação/ refeição foi uma das cláusulas pedidas pelo Sindicato dos Jornalistas (Sindjorce) na Campanha Salarial de Impresso. Inicialmente negada, agora será discutida entre os representantes laborais e patronais, por meio de uma comissão paritária. "Temos uma pesquisa com a base que mostra o quanto a alimentação é inadequada, por vezes, insuficiente. O vale refeição não vem apenas suprir a questão da garantia de ração para o trabalhador, mas de melhor qualidade de vida e de trabalho, sobretudo para quem tem de se deslocar para cumprir as pautas", afirmou Claylson Martins, presidente do Sindjorce.


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