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17 de maio de 2011

Confira a versão do presidente do Sindjorce publicada nos blogs locais


Carta aberta aos jornalistas



Quando aceitei fazer parte da diretoria do sindicato dos Jornalistas Profissionais no Ceará foi praticamente a realização de um sonho. A ideia de servir à categoria e lutar pela qualidade de vida de todos nós é algo desafiador e estimulante. Foi assim que entrei para a diretoria do Sindjorce em agosto de 2007, depois de ter participado da disputa em 2004. Em 2010, fui escolhido para ser o representante maior da categoria. Aceitei o desafio diante do quadro de incertezas que se configurava.


Hoje, ao olhar para trás, vejo que os desafios são muitos: campanhas salariais, palestras, mobilização da categoria. Mas a maior dificuldade, eu não esperava: a oposição às ações dentro da própria diretoria. Isso levou a embates fortes e muitas vezes desnecessários. Se não na forma, no conteúdo. Além disso, tem-se tornado claras as táticas de intimidação para me forçarem uma renúncia ou destituição do cargo. Processos na Comissão de Ética, corte de ajuda de custo, agressões verbais, assédio moral e, por último, agressões físicas e ameaças.


Enquanto presidente do Sindjorce e representando toda a categoria no Estado do Ceará jamais esperava que de dentro da própria diretoria partisse todo tipo de intimidação. No último dia 09 de maio, em meio a uma discussão, o repórter fotográfico Evilázio Bezerra partiu para agressão física, fato injustificável, alegando que eu teria prejudicado a imagem do sindicato do Ceará junto à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Em minha correspondência à Fenaj, relatei os casos de abusos, intimidações e desmandos aqui ocorridos. Na verdade, usam este argumento para tentar explicar outro ato injustificável: o golpe e minha destituição do cargo de presidente da entidade por não concordar com as práticas aplicadas ao longo dos últimos anos. Tentam, também, a nível nacional, dificultar a relação dentro da diretoria, a exemplo do que ocorre aqui.


Não foi à toa que, nas duas gestões anteriores, nomes do jornalismo e do sindicalismo cearense se afastaram da diretoria do Sindjorce. Agostinho Gósson, Paulo Mamede e Ronaldo Salgado são exemplos claros deste distanciamento. Quem convive ou conviveu de perto com tal situação sabe bem o que estou falando.


Com uma diretoria quase que inteiramente formada pela ex-presidente, a maioria dela é ampla. Subitamente, talvez por este motivo, diretores deixam de reconhecer que houve a agressão, registrada em BO e em exame de Corpo Delito para que haja um resguardo mínimo dos meus direitos enquanto pessoa, valores que deveriam ser defendidos por toda a diretoria. Surpreende-me que esbravejem em defesa dos trabalhadores agredidos em manifestações- e assim deve ser - e deixem que o mesmo ocorra de forma silenciosa, covarde e ardil dentro do próprio sindicato. Como se pode pregar uma coisa e praticar outra?


Por um momento, cheguei a pensar ter agido errado em denunciar o ocorrido à Fenaj. Mas ao ver a reação e toda a armação feita para denegrir minha imagem, tive a certeza de que foi o caminho certo. Não apenas para me resguardar mas para resguardar toda a categoria. Como podem dirigentes sindicais se calarem diante do fato ocorrido? Como justificar eles terem presenciado e não terem me dado apoio? Uma tentativa de se manter no poder, tentar abafar o caso? São muitas as alternativas.



Mas a escolha que eu faço é pela verdade dos fatos. Uma agressão física como a ocorrida é inadmissível. Relutei bastante em contá-la até para os mais próximos pensando sempre na entidade e na nossa categoria. E também foi pensando nela que resolvi falar. Uma diretoria que não respeita os direitos mínimos do cidadão, não merece estar onde está. Que todos nós jornalistas nos mobilizemos para que não seja aplicado o golpe com minha consequente destituição. Processo na Comissão de Ética por denunciar o que está havendo não faz sentido. Assim como não faz sentido também calar diante dos fatos ocorridos.

Claylson Martins
Presidente Sindjorce
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