26 de agosto de 2009
Diploma ao molho Gilmar Mendes
A primeira turma do Curso de Jornalismo da Faculdade Integrada do Ceará (FIC), período 2009.1, que terminou depois da desregulamentação do diploma para o exercício da profissão, ironiza a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) com o nome da turma "Diploma ao molho Gilmar Mendes: Cozinhando notícia, escrevendo receitas de jornal" e com uma foto irreverente. A ideia surgiu quando a turma foi solicitada a dar nomes para a placa e, com a queda do diploma, o sentimento de indignação nasceu nos estudantes. Segundo Suiany Araújo, aluna responsável pela organização da festa, "todos ficaram frustrados e o Diego Lage sugeriu esse nome e a turma apoiou por unanimidade. Foi uma forma de contestar". A placa seria em formato de papiro, mas o título não combinava nem com a forma da placa e nem com a foto tradicional, "daí a gente ter optado pela o estilo atual", completa Suiany.
A placa passa a ser testemunha do momento em que os estudantes, profissionais e sociedade estavam passando naquele instante com a queda do diploma de jornalismo. "Nós não podíamos deixar passar em branco, precisávamos deixar alguma coisa que mostrasse a nossa insatisfação e chamasse a atenção de quem vê. Essa era a nossa forma de protesto", afirma Lage.
Para o professor homenageado pela turma, Alejandro Sepúlveda, a atitude dos estudantes mostra que eles acreditam na importância de uma formação superior que possa produzir informações com qualidade à sociedade. "Foi uma grande satisfação receber a homenagem da turma que concluiu o curso no momento em que o STF derruba o diploma para o exercício da profissão de jornalismo. Isso demonstra que, independente da decisão do Supremo, os estudantes acreditam na importância de uma formação superior de qualidade".
Outro homenageado o professor Lauriberto Braga, acredita na força e na capacidade criativa dos jovens jornalistas. "Foi uma grande sacada deles, pegaram um momento de decisão sobre a qualidade do ensino e mostraram, através dessa lembrança, que não é tirando o diploma que vai aumentar o acesso à profissão sem qualidade. Traduziram o sentimento, agora que estão entrando no mercado de trabalho", afirma. Para a paraninfa da turma, Fátima Medina, "quem passa pela academia abre mais seus horizontes de conhecimento e se percebe crítico da sociedade à qual faz parte. Escolhe formas de combate e acrescenta sabedoria aos espaços vazios que a cada dia o sistema constrói. Essa turma faz a diferença e começa a mostra ao criar uma forma de transmitir sua indignação".
A coordenadora do curso de Jornalismo, Rosane Nunes, acredita que a irreverência dos alunos mostra que a decisão do Supremo não é definitiva e nem suprema. Os estudantes e os profissionais, assim como a sociedade irão reagir à decisão do STF. "Usando da ironia os estudantes deram a resposta de uma forma combativa traduzindo a indignação da sociedade. E como o brasileiro tem essa veia de humor, assim se expressaram em uma ação de resistência. O brasileiro não é passivo reage e contrapõe a decisão. A faculdade vem fazendo isso num trabalho de sala de aula junto com os professores. A aula inaugural vai debater a importância do ensino superior para o jornalismo", afirma.
Os novos profissionais colaram grau no dia 22 de julho, uma turma de 24 jornalistas, e não acreditam que as empresas deixem de contratar profissional com diploma. Para Suiany "a queda do diploma não vai afetar tanto, estamos cientes de que o diploma será exigido". Opinião compartilhada com o colega Diego Lage, "acredito que possa haver um caso ou outro de contratação de profissional sem diploma, mas, a rigor, as empresas não deixarão de preferir os que têm uma qualificação na área".
Já a presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce), Déborah Lima, avalia que com a queda do diploma as empresas irão determinar quem serão os jornalistas. "Não adianta se pensar que o patrão irá escolher alguém para ser jornalista só porque fez o curso, na verdade ele irá dizer quem será ou não jornalista. Agora são os donos da mídia que irão determinar quem são jornalista. Um verdadeiro retrocesso "
Os novos profissionais: Ana Angélica Pereira Ferreira, Anne Carolyne Carlos Barros, Diego Lage Bezerra, Élida Pires Cardoso, Érica Sousa da Costa, Felipe Lopes Ferreira, Francisca Amália Castelo Branco, Francisco Edilson de Araujo, Helly Pinheiro Ellery Filho, Márcia Lidiane Câmara do Nascimento, Mariana do Amaral Mendonça, Marina Leitão Costa, Munique de Souza Freitas, Natasha Farias Pitts, Patrícia Fernandes de Carvalho, Rafaela Rodrigues Santana, Raquel Barroso Araújo, Renata Maria Cals Theófilo, Renata Sampaio de Menezes, Rômulo Luna de Melo, Suiany Araújo da Costa, Tatiana Aparecida Félix, Valesca Vieira Vidal, Viviane Moreira Alves de Sousa.


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