4 de março de 2011
Divulgação de pesquisa dá início às ações do Sindjorce voltadas para a questão de gênero
Estudo divulgado pelo Dieese nesta quarta-feira (2), no auditório do Sindjorce, revela que o desempenho do mercado de trabalho na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) foi favorável para a inserção produtiva de homens e mulheres em 2010. Para a população feminina, foram gerados 36 mil postos, volume suficiente para absorver 21 mil mulheres à força de trabalho local, o que reduziu o contingente de trabalhadoras desempregadas em 14 mil pessoas. O estudo foi elaborado em parceria com o Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT) e a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS).A secretária-geral do Sindjorce, Samira de Castro, abriu a apresentação, destacando a preocupação do sindicato com a questão da mulher jornalista. "As nossas convenções coletivas de trabalho, tanto de mídia impressa quanto de mídia eletrônica, têm cláusulas específicas para beneficiar as trabalhadoras, como estabilidade da jornalista mãe, abono de falta (para acompanhamento de filho doente), jornada de trabalho da mãe (reduzida em uma hora para as que têm filhos de até 12 meses) e auxílio creche". Acrescentou que a profissão, diferente da realidade de outros campos, abriga um grande número de mulheres e, muitas delas, em cargos de chefia. Samira informou, ainda, que o Sindjorce realizará, em maio deste ano, mini-curso de formação para estudantes e jornalistas, sobre a abordagem correta de gênero, raça e etnia no Jornalismo. "É importante tratar estes temas sem preconceito, ajudando a construir um debate franco com a sociedade". O curso é uma parceria com a Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ) e a ONU Mulheres. "Esta apresentação é o início das ações do sindicato voltadas para a questão de gênero", frisou. Para homenagear as mulheres presentes à coletiva, em celebração ao Dia 8 de março, a diretoria do Sindjorce distribuiu rosas brancas.
Mais empregos
Segundo o estudo, a melhoria no número de vagas de trabalho fez com que a taxa de desemprego total diminuísse tanto para homens, de 10,0% (2009) para 8,1% (2010), como para as mulheres, de 12,9% para 11,0%. Nesse período, o contingente de desempregados estimado na RMF caiu de 194 para 165 mil pessoas, comportamento que foi observado tanto entre os homens (de 91 para 76 mil), quanto entre as mulheres (de 103 para 89 mil). Das vagas geradas entre 2009 e 2010 (83 mil), 47 mil foram ocupadas por homens e 36 mil por mulheres, sobretudo no setor privado e com carteira assinada e entre os autônomos.
"Esse comportamento foi influenciado pela expansão da construção civil na RMF, cuja ocupação neste setor ainda é predominantemente masculina", destaca Erle Mesquita, do IDT. Por outro lado, o crescimento das oportunidades de trabalho para as mulheres foi mais evidente no setor terciário da economia, especialmente no comércio.
Rendimento e escolaridade
Levando-se em consideração o rendimento horário - haja vista que a jornada de trabalho feminina (41 horas) é, em média, um pouco inferior à masculina (44 horas) - percebe-se que os rendimentos médios auferidos pelas mulheres, em relação aos homens, passaram de 77,1%, em 2009, para 78,7%, em 2010, ou seja, para cada hora trabalhada (em média), os homens recebem R$ 5,06 e as mulheres, R$ 3,98.
A presença feminina é crescente com o aumento da escolaridade, uma vez que chega atingir seis em cada dez trabalhadores ocupados com ensino superior completo. Os dados da pesquisa apontam que a elevação da escolaridade tende a ampliar a participação dos trabalhadores no mercado, uma vez que por volta de oito em cada dez trabalhadores com ensino superior estão efetivamente nesse mercado. "Quando observada a população ocupada, percebemos que as mulheres com maior nível de escolarização possuem mais possibilidades de conseguir um posto de trabalho, com salário compatível no mercado", destaca Erle Mesquita.
O ritmo de crescimento do nível ocupacional feminino foi pouco inferior ao dos homens (5,9% contra 5,0%), entre 2009 e 2010. Especificamente entre os mais escolarizados, cabe mencionar que enquanto diminuiu as oportunidades de trabalho para os homens, entre as mulheres, ocorreu exatamente o contrário, dada a elevação da ocupação para as trabalhadoras de ensino superior, fato que sinaliza mais oportunidades de trabalho para este segmento populacional.
Do total de 1.595 mil ocupados encontrados na RMF, em 2010, 136 mil eram trabalhadores com ensino superior (8,6%), sendo 84 mil mulheres e 52 mil, homens. O estudo aponta também que enquanto os trabalhadores com menor instrução formal enfrentam as mais diversas formas de contratação, os de ensino superior tendem a alcançar mais frequentemente postos de trabalho mais formalizados, especialmente no setor público.
O rendimento médio dos trabalhadores de ensino superior é cerca de quatro vezes mais elevado do que entre as pessoas com menor nível de escolarização. Em 2010, enquanto o rendimento médio dos ocupados com ensino superior correspondia a R$ 2.490, o dos trabalhadores menos escolarizados ficava em R$ 699.
Com informações do IDT


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