28 de outubro de 2009
Empresas de comunicação jogam pesado contra aprovação da PEC dos jornalistas
O deputado federal Zenaldo Coutinho (PSDB-PA) apresentou, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), voto em separado contra a PEC dos Jornalistas. Em sua justificativa adversa à exigência da formação superior em jornalismo, Coutinho demonstra estar alinhado com a Associação Nacional dos Jornais (ANJ), com a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) e com os grandes empresários da comunicação brasileira, já que utiliza os mesmos argumentos das entidades patronais na tentativa de evitar que prosperem as iniciativas em favor do diploma de jornalista no Congresso Nacional. Lobistas profissionais acompanham todas as sessões da CCJ da Câmara dos Deputados na tentativa de pressionar os parlamentares a votarem contra a aprovação da PEC.
A estratégia da ANJ, da ABERT e de deputados conservadores é impedir que a PEC dos Jornalistas seja analisada e aprovada na CCJ. A tática ficou evidenciada quando na semana passada alguns dos mais importantes jornais do país romperam o silêncio sobre o assunto, dedicando parte de seus editoriais apenas à opinião da Presidente da ANJ, Judith Brito. Além do artigo, também foram publicadas, sem ouvir a versão dos trabalhadores, matérias de agências sobre uma suposta "nova febre do Congresso Nacional de regular profissões". "Interesses corporativos de grupos minoritários e reserva de mercado explicariam a situação", diz a matéria plantada pelo patronato para distorcer uma tradição democrática do legislativo brasileiro de estabelecer regras de acesso às profissões por meio de leis.
Autor da PEC dos Jornalistas, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) classificou como um tipo de "censura" tanto a prática da grande mídia, que restringe o acesso ao debate quando concede espaço somente a uma versão dos fatos, como a tentativa de barrar a votação da Proposta na CCJ. "É estranho que aqueles que se dizem defensores da liberdade de expressão revelem na prática exatamente o inverso, manipulando e restringindo a discussão. Desde que se começou a cogitar a votação da PEC na CCJ, iniciaram, estrategicamente, movimentos para impedir a análise da Proposta, o que considero uma prática anti-democrática", critica.
Fonte: Gabinete do deputado Paulo Pimenta/site do Sindjorce.


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