24 de setembro de 2011
Governo do Estado promete apoio à criação da Cojira no Ceará
O lançamento do CineJorce, na noite da última quinta-feira (22), com a apresentação do documentário "Rosal da Liberdade", de autoria da jornalista Marilena Lima, transformou o Espaço Cultural SindBar num verdadeiro cinema a céu aberto. De iniciativa do Departamento de Jornalistas Aposentados do Sindjorce, o clube de cinema reuniu dezenas de apoiadores da luta pelo fim do preconceito, entre eles Ivaldo Paixão, titular da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial do Estado. Ele assumiu, em nome do Governo, o compromisso de apoiar a criação de uma Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira) no Ceará.
“Trazer uma Cojira para cá é uma idéia feliz e acertada, que contará com todo o nosso apoio”, afirmou Paixão. Ele e o professor Ilário Ferreira, pesquisador da História e Cultura dos Negros no Ceará, também presente no lançamento do Clube de Cinema do Sindjorce, elogiaram o conteúdo do Curso Gênero, Raça e Etnia para jornalistas promovido em agosto pelo Sindjorce, com o apoio da FENAJ e da ONU Mulheres, em comemoração ao Ano Internacional dos Afrodescendentes.
“O trabalho do jornalista é fundamental para desconstruir esse discurso da mídia de que negro é marginal e negra é prostituta. E isso só será possível por meio da consciência negra. O curso (de gênero, raça e etnia) é o início desse processo”, avaliou Paixão. Segundo ele, a população negra é maioria no Brasil. “Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e do último Censo. E no Ceará, ao contrário do que se pode pensar, a situação não é diferente. Mas onde estão esses negros? Estão na base da pirâmide, no subemprego e nas prisões”, completou, acrescentado que o Ceará é o quinto estado onde mais se mata negros no Brasil.
Apelo ao resgate da história e da memória negra no Ceará
O pesquisador Ilário Ferreira defendeu que a construção da consciência negra passa, obrigatoriamente, pelo resgate da história e da memória dessas populações no Ceará, primeiro estado do Brasil a libertar os escravos. Para ele, o trabalho dos jornalistas, o uso de uma linguagem adequada e investimentos em cursos de formação para profissionais de imprensa é fundamental para se combater o preconceito racial.
Nesse sentido, o coordenador do Departamento de Juventude do Sindjorce, Rafael Mesquita, anunciou a realização pelo Instituto de Juventude Contemporânea (IJC), em parceria com o sindicato e a FENAJ, do projeto Camutuê. Dirigido a profissionais de comunicação, o curso iniciará em 27 de outubro e terá 100 horas aula. O projeto foi selecionado pelo edital do Plano de Ação Conjunto Brasil - Estados Unidos para a Promoção da Igualdade Racial e Étnica – JAPER, fruto da parceria da Brazil Foundation com a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. O Camutuê galgou o primeiro lugar na seleção, entre os 12 projetos escolhidos.
Campanha de autodeclaração racial e étnica
A exibição de "Rosal da Liberdade" marcou também o lançamento da campanha de autodeclaração racial e étnica dos jornalistas no Ceará, com distribuição de adevisos e marca-livros sobre a temática. Intitulada "Jornalista de verdade assume a sua itentidade", a iniciativa consiste na inclusão do item raça/cor/etnia na ficha cadastral dos sindicatos dos jornalistas de todo o Brasil.
"As informações sobre raça, cor e etnia no cadastro sindical vão gerar dados estatisticos que permitirão analisar os indicadores sobre o modo de vida profissional dos jornalistas afro-descendentes e indígenas, subsidiando a luta por políticas de igualdade racial no mercado de trabalho", avalia a presidente em exercício do Sindjorce, Samira de Castro.


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