2 de setembro de 2009
Jarbas Oliveira e José Mapurunga lançam O Livro das Horas da Praça do Ferreira nesta quinta-feira (3/9)
A mulher do cafezinho, o vendedor de algodão doce, os evangélicos, os jogadores de porrinha, o homem que descasca cocos com os dentes, a moça que passa lépida, os jovens comerciários, os velhos frequentadores. Figuras anônimas popularmente conhecidas, como o poeta Mário Gomes, o velho Valmir, o jornaleiro Paixão, o João Engraxate, o Nietzsche, o Deputado. Todos esses que fazem o dia a dia do centro nervoso da cidade, estão nas páginas de "O Livro das Horas da Praça do Ferreira", editado com apoio da Prefeitura Municipal de Fortaleza, através da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor).
Eles são personagens ilustrativos de uma excursão íntima que leva a assinatura de dois especialistas em diferentes linguagens: Jarbas Oliveira, fotógrafo com trabalhos impressos nos mais importantes veículos de comunicação do País, e José Mapurunga, premiado dramaturgo, roteirista, contista, poeta, cordelista e letrista de música. Neste trabalho de coautoria, o escritor e o fotógrafo se apropriaram das horas canônicas - antigas divisões de tempo que serviam aos cristãos como diretrizes para as orações diárias - para falar das horas que passam e dos que passam pelas horas no cotidiano da Praça do Ferreira.
"Eu sou um frequentador antigo do local e em 1999 escrevi uma crônica baseada nas horas canônicas para mostrar um dia inteiro na praça, as pessoas e os sentimentos que rondam por lá", explica Mapurunga. Dez anos depois, os textos se casam com o registro fotográfico de Jarbas Oliveira, para quem a maior dificuldade foi escolher 157 fotos dentre as 4.000 que bateu. "O interessante é que antes de fotografar, eu tinha lido apenas uma vez o texto, porque não queria me prender, mas depois vimos que as narrativas se comunicam e complementam", ressalta Jarbas.
Para Mapurunga, que veio de Viçosa aos sete anos de idade, a Praça do Ferreira é o lugar de Fortaleza mais parecido com o interior. "Lá, inclusive, existe um banco que é dividido entre as pessoas de Viçosa e as de Quixadá", comenta com o bom humor de quem conhece todas as horas da praça, sob diversos ângulos, no centro dela mesma e em seus arredores, que se derramam pela Pharmácia Osvaldo Cruz, a pastelaria Leão do Sul, o antigo Cine São Luís, o Excelsior Hotel, o Clube do Advogado, os restaurantes de comida rápida e as lojas fervilhantes de produtos variados.
Com 144 páginas, "O Livro das Horas da Praça do Ferreira" é patrocinado pela Prefeitura Municipal de Fortaleza, através da Secultfor, e foi desenvolvido em comemoração ao aniversário da Cidade. Na apresentação da obra, a jornalista e professora Beatriz Furtado resume o espírito que movimentou o projeto: "Saltando entre lá e cá, em meio a todas as coisas que são propriamente o mundo, a obra de Jarbas Oliveira e José Mapurunga se encontra em meio - da praça, das pessoas, das horas, do movimento, do esquadrilho do espaço, das vitrines, das bolhas de sabão, das rodas feirantes, dos escureceres. Em meio ao mundo cujas horas não respeitam os ditames dos relógios, nem as cronologias do passar".
"O Livro das Horas da Praça do Ferreira" será doado a instituições públicas de cultura e bibliotecas. Todos os retratados na obra receberão um exemplar.
SERVIÇO
Lançamento de "O Livro das Horas da Praça do Ferreira", com fotos de Jarbas Oliveira e texto de José Mapurunga. Dia 3/09, a partir das 17h30, na Praça do Ferreira, próximo à Coluna da Hora. Ao escurecer, haverá projeção de imagens do livro no local.
Fonte: Secultfor


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