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30 de setembro de 2009

Jornais oferecem reposição da inflação e manutenção dos direitos dos jornalistas de impresso



Numa clara sinalização de que está disposto a negociar, o Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Ceará (Sindijornais) apresentou proposta de reajuste salarial de 4,48% (INPC) e a manutenção de todos os direitos dos jornalistas de impresso previstos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. A proposta foi apresentada pelo presidente do Sindijornais, Mauro Sales, no dia 25 de setembro, na sede da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), durante a primeira negociação da campanha salarial dos jornalistas de impresso 2009/2010. A reunião contou com a presença do diretor da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Guto Camargo, presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.
 
Ao contrário da campanha salarial passada, quando os patrões levaram cinco meses para oferecer a inflação aos jornalistas, o que obrigou profissionais de impresso e gráficos a aprovarem greve conjunta, desta vez os jornais O Povo, Diário do Nordeste, O Estado e a revista Fale! demonstraram boa vontade em negociar. “Minha veemência são os gritos da minha sinceridade. Esse sentido de aproximação (com o sindicato dos trabalhadores) é sincero”, disse Mauro Sales, antes de pedir um voto de confiança à comissão de negociação do Sindjorce. 
 
Mauro Sales se mostrou frustrado com a negociação salarial anterior e deixou claro que não é interesse do sindicato patronal que o mesmo nível de tensão se repita. “As negociações se tensionaram de tal maneira que invadiram outras áreas. Mas não é conveniente falar sobre isso agora”, disse Mauro Sales.
 
Avançando rumo a novas conquistas
 
O presidente do Sindjornais explicou que a proposta dos patrões envolve dois momentos: primeiro a correção do piso e dos salários acima do piso, além da renovação de todas as cláusulas atuais. Após a celebração da CCT, as negociações das novas cláusulas reivindicadas pelos jornalistas continuariam em uma segunda etapa, durante encontros mensais entre representantes dos patrões e empregados organizados em uma comissão paritária.
 
Entre as cláusulas novas estão o vale-refeição diário de R$ 10,00, a criação de uma comissão para acompanhar as condições de trabalho e saúde nas empresas, e a autorização para o Sindjorce desenvolver campanha de sindicalização nos locais de trabalho. As reuniões para discutir as novas cláusulas seriam realizadas de outubro de 2009 a janeiro de 2010, com encontros alternados nas sedes dos sindicatos patronal e laboral, sendo a primeira realizada no Sindjorce. O sindicato patronal também sinalizou com a possibilidade de discutir outros benefícios para os trabalhadores, entre eles a participação em cursos de capacitação, reivindicação antiga da categoria.
 
Finalmente negociações em patamares de razoabilidade
 
“Começar a negociar em patamares de razoabilidade é um grande avanço. Queremos inaugurar uma nova cultura de negociação com os jornais, onde não precisemos nos digladiar todo ano para chegar a um consenso”, analisou o diretor executivo do Sindjorce, Claylson Martins. “O Sindicato dos Jornalistas no Ceará vai dar um crédito de confiança ao Sindjornais. Acreditamos que, com a boa vontade sinalizada pelo presidente Mauro Sales, será possível se chegar a um acordo satisfatório para ambos os lados, sem o nível de tensão da campanha passada”, aposta o diretor da Fenaj, Guto Camargo. 
 
O delegado do Sindjorce junto à Fenaj, Mirton Peixoto, atribuiu a nova postura patronal à mobilização construída pelos jornalistas durante a campanha salarial passada, que durou quase um ano. Para ele, as empresas oferecerem a recomposição salarial integral como primeira contraproposta simboliza um marco histórico nas relações entre patrões e empregados. 
 
"Esperamos que essa seja uma sinalização de paz e que este ano as negociações se deem dentro das mínimas regras de civilidade, sem Polícia, segurança privada, ameaças de demissão, interditos proibitórios ou retaliação a dirigentes sindicais", espera a presidente do Sindjorce, Déborah Lima.
 
As próximas rodadas de negociação estão marcadas para os dias 9 e 16 de outubro na sede da SRTE.
 
Entenda a proposta patronal
 
1. Reajuste de 4, 48% (INPC) para piso e salários acima do piso, retroativos a 1º de setembro.
2. Manutenção de todos os direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho 2008/2009
3. Piso salarial unificado de R$ 1.289,66 (redator, noticiarista, repórter, repórter-fotográfico, ilustrador, diagramador, arquvista-pesquisador e revisor)
4. Seguro de vida/invalidez: R$ 31.362, 35
5. Formação de uma comissão paritária composta de três ou quatro membros dos sindicatos patronal e laboral para análise e estudo das cláusulas novas apresentadas pelo sindicato laboral. O Sindjorce indicaria quais cláusulas seriam discutidas pela comissão. As reuniões aconteceriam em outubro, novembro e dezembro de 2009 e janeiro de 2010 alternadamente nas sedes dos sindicatos laboral e patronal, sendo a primeira no Sindjorce

Conheça as reivindicações dos jornalistas
1. Reajuste de 9,9% (INPC mais ganho real) para piso e salários acima do piso, retroativos a 1º de setembro
2. Manutenção de todos os direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho 2008/2009
3. Piso salarial unificado de R$ 1.356,57 (redator, noticiarista, repórter, repórter-fotográfico, ilustrador, diagramador, arquvista-pesquisador e revisor)
4. Seguro de vida/invalidez: R$ 32.989,31
5. Vale refeição/alimentação diário: R$ 10,00
6. Criação de comissão de saúde para acompanhar as condições de trabalho dos jornalistas

7. Campanha de sindicalização no âmbito das empresas


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