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20 de janeiro de 2011

Jornalistas são mantidos em cárcere privado e ameaçados de morte no Rio Grande do Norte

O ex-diretor do Instituto de Pesos e Medidas do RN, Augusto Caldas Targino, manteve em cárcere privado por 13 minutos, ameaçou de morte e agrediu verbalmente uma equipe do NOVO JORNAL que produzia uma reportagem sobre a granja que o deputado federal João Maia disse que tentou comprar com o cheque de R$ 700 mil assinado por ele e apreendido pela Polícia Federal. Mano Targino, como é conhecido o agressor, acusou a reportagem, mesmo sem estar presente na propriedade, de invadir a granja que pertence a ele, no município de Macaíba.

Em momento algum, no entanto, a equipe do NOVO JORNAL sequer chegou perto do terreno de Targino, que agora, após lavrado o Boletim de Ocorrência, responderá a um inquérito criminal por injúria, ameaça de morte e cárcere privado.

No início da manhã de ontem, o repórter Rafael Duarte, o fotógrafo Ney Douglas e o motorista Clodoaldo Régis estiveram na granja de João Maia, localizada na rua Osnildo Targino, em Macaíba.

Por volta das 12h30, em frente ao terreno, a equipe foi abordada por um rapaz que se identificou como Samir. O jovem, que aparentava menos de 30 anos de idade, afi rmou que morava na propriedade vizinha, que pertence ao pai dele, o ex-delegado Raifi Targino, irmão do ex-diretor geral do Ipem.

"A granja do João Maia era do meu tio, Chuchu, que vendeu a ele há três anos. Meu pai não está em casa", disse antes de ir embora.

Como não havia com quem falar na residência da granja ao lado, a reportagem também deixou o local e sequer esboçou vontade de ir à granja de Mano Targino, que fi cava do outro lado da rua.

Ao voltar para a redação do jornal, na Ribeira, o repórter foi informado que Mano Targino havia ligado para o diretor geral do NOVO JORNAL, Cassiano Arruda, pedindo explicações sobre a suposta invasão da granja dele.

A orientação era tentar contato com o ex-diretor do Ipem. Por telefone, a reportagem tentou desfazer o mal-entendido, mas não obteve sucesso.

Falando alto, Targino perguntou se a conversa poderia ser pessoalmente, no que foi consentido. A mesma equipe que visitou a granja, então, se dirigiu para a empresa dele, Patanegra, no endereço combinado, no bairro do Tirol. No local, além do ex-diretor do Ipem estavam mais dois homens.

Um aparentava ser funcionário da loja e permaneceu calado enquanto o outro se identifi cou como ‘primo de Mano Targino', e durante todo o tempo se posicionou em frente à porta de vidro do estabelecimento, trancada à chave a partir do momento em que a reportagem tentou deixar o local.

A conversa já começou em tom ríspido. Mano Targino sustentou a tese infundada de que a reportagem invadiu a granja dele sem sequer ter ido ao local. Com a negativa, o ex-diretor do Ipem iniciou o rosário de xingamentos e ameaças. Além de mentiroso, chamou o jornalista de "repórter vagabundo", "filho da puta", "corno" e continuou gritando impropérios.

Ele ainda disse que se estivesse na casa teria ‘quebrado a cara e as pernas de um repórter vagabundo dessa qualidade e de quem mais estivesse junto'. As ameaças não pararam mesmo com a reportagem insistindo para que a porta fosse aberta.

A certa altura, sempre gritando, Mano Targino afirmou que não temia jornalista. "Você não tem medo de mim, não? Pois eu quero ver se você não vai ter medo de mim!", disse ao que o repórter o questionou: "o senhor está me ameaçando?".

A resposta veio pronta: "Entenda como você quiser, entenda como você quiser! Pode fotografar, pode fi lmar! Não tenho medo de jornalista não, de filho da puta nenhum. Eu sou homem de bem. Agora você só se deu bem porque eu não estava lá.

Eu queria que eu estivesse em casa para um vagabundo como você entrar dentro na minha casa! Queria quebrar as pernas de murro. Quebro a sua ou de qualquer um, se um vagabundo da sua qualidade for lá. Vá de novo para você ver uma coisa, seu bosta", ameaçou.

Em outro momento, ainda fora de si, o agressor falou em homicídio. "Não matei ninguém ainda, mas a lei daqui me dá direito a matar um ainda. É a constituição federal que me garante. Mato um, livro o flagrante e quem morre é quem se fode", disse.

Após 13 minutos de amea- ças e trancados sem poder deixar o local, Mano Targino decidiu abrir a porta. Nervoso, não conseguiu acertar a chave e foi auxilia- do pelo ‘primo'. A reportagem deixou o local e foi direto para a 3ª DP, localizada no Alecrim, registrar o BO.

 Fonte: www.fatorrrh.com.br e Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Norte (Sindjorn)

NOTA DE REPÚDIO
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte (Sindjorn) vêm a publico, repudiar as agressões verbais que a equipe do Novo Jornal sofreu na tarde desta terça-feira, (18), quando tentava conversar com o ex-presidente do IPEM, Mano Targino.  O repórter Rafael Duarte, o repórter fotográfico Ney Douglas e o motorista da equipe Clodoaldo Régis foram ameaçados de morte pelo empresário, que durante mais de 12 minutos prendeu-os em sua sala. 

 

A Fenaj e a diretoria do Sindjorn destacam que durante o exercício da profissão, nenhum cidadão brasileiro tem o direito de coagir uma equipe de reportagem, muito menos, ameaçar, intimidar e ofender enquanto trabalha, utilizando a Constituição Federal como argumento, tal qual fez o senhor Mano Targino, apontado pela equipe de reportagem como o agressor (conforme segue em 3 anexos: áudio da agressão, a matéria sobre à agressão veiculada no Novo Jornal nesta quarta-feira (19) e o Boletim de Ocorrências (BO) que a equipe de reportagem fez na 3ª Delegacia de Polícia do bairro do Alecrim, em Natal.

 

O repórter/Jornalista Profissional Rafael Duarte, o repórter fotográfico Ney Douglas e o motorista da equipe Clodoaldo Régis contam com o total apoio da Fenaj e do Sindjorn,  na defesa da liberdade de imprensa e do livre exercício da profissão.

 

Por fim, exigimos que sejam apuradas as denúncias na forma da lei, para que denúncias deste tipo não voltem a ocorrer em nosso Estado, que no ano passado já foi palco de agressões contra jornalistas e até mesmo de homicídio, como o caso de F. Gomes, em Caicó, que foi assassinado porque apurava denúncias de compra de voto por drogas.

 

Que o Rio Grande do Norte não volte ao noticiário nacional como um Estado em que não há garantias de vida e muito menos segurança, para que os jornalistas possam continuar realizando o seu trabalho, defendendo o livre exercício da profissão enquanto fazem matérias, seja apurando denúncias, e/ou mostrando ao público os problemas que a população enfrenta no dia-a-dia.

 

Federação Nacional dos Jornalistas - FENAJ

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte - Sindjorn 

 

Postado por autor: sindjorce em   Sem categoria.  marcador Tags  relatório violência.

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