13 de janeiro de 2011
O Povo: quando o porquê das coisas é só um slogan
"Dirigentes cercaram os funcionários que se dirigiam ao ônibus 'exigindo' que eles recebessem um panfleto com 'ataques' ao jornal". Esta foi a versão do O Povo do episódio ocorrido dia 7, na Praça do Ferreira, quando funcionários do jornal agrediram dirigentes do Sindicato dos Gráficos após a comemoração dos 83 anos da empresa. Na nota, publicada simultaneamente nas edições do O Povo e do concorrente Diário do Nordeste, no dia 13, o jornal transforma agressores em vítimas, revela omissão jornalística e frouxidão ética.
O Povo defende a tese de que os funcionários foram agredidos pelos dirigentes por terem se "recusado a receber o panfleto". Curiosamente, o jornal não denunciou as supostas agressões na matéria publicada, no dia seguinte (08), sobre o aniversário do jornal. Por qual motivo teria omitido a violência contra os trabalhadores e somente agora, quase uma semana depois, tornou pública as supostas agressões?
Se foram agredidos, por que fugiram do local. Por que não recorreram aos Policiais Militares que faziam a segurança da praça, como fizeram os sindicalistas? Se foram vítimas, por que tentaram tomar dos dirigentes sindicais a máquina fotográfica em que era registrado o tumulto? As contradições apontadas serão devidamente investigadas pelas autoridades competentes.
A nós, jornalistas e dirigentes, cabe reafirmar todas as denúncias de práticas anti-sindicais, perseguição política e censura feitas contra o Grupo O Povo de Comunicação no Relatório Anual de Violência 2010 da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ). Repudiamos, mais uma vez, as sucessivas tentativas de intimidação dos nossos dirigentes sindicais e a manipulação da informação por setores do patronato que defendem o diálogo social no discurso, mas cerceiam as liberdades políticas no cotidiano de suas redações.


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