26 de abril de 2011
Sindjorce garante cláusulas nas CCTs para acompanhar a saúde dos jornalistas
Acordar, tomar café, sair para o trabalho, almoçar com tranquilidade, voltar e praticar uma atividade esportiva, ou ir se exercitar numa academia, sair para jantar fora e, ainda sobrar tempo para uma conversa saudável com os amigos ou com a família. A rotina anterior é privilégio de poucos profissionais que enfrentam a maratona de produção de informações. Além dos salários baixos e das longas jornadas de trabalho, a qualidade de vida dos jornalistas é uma das mais precárias, comparando com as outras profissões.
Para sobreviver desta profissão é preciso, pelo menos, ter dois empregos, a fim de garantir o pagamento das contas no fim do mês.Levantamento realizado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) nas redações dos jornais Diário do Nordeste, O Estado e O Povo, em outubro do ano passado, revelou que 61,39% dos trabalhadores apresentavam problemas de saúde. Dores nas costas, pescoço e articulações lideravam o ranking. Logo depois, surgiam estresse, ansiedade, problemas de visão, dores nos braços, pernas e articulações, dores de cabeça, depressão e palpitações. "Nossos formadores de opinião estão doentes e, justo eles, que dão voz a tantas categorias, não podem ser ouvidos ou se expressar na grande mídia", frisa a secretária-geral do Sindjorce, Samira de Castro.
Diante do quadro, o Sindjorce vem pautando sua atuação de forma a garantir melhores condições de trabalho e de vida para a categoria. Recentemente, consegiu duas importantes vitórias: a aprovação, nas convenções coletivas de Impresso e de Rádio e TV, de cláusulas que tratam da Saúde do Jornalista. No caso da CCT de Jornais e Revista, a clásusula 58ª estabeleceu a implantação de Comissão Paritária de Saúde - com três representantes dos empregadores e três dos empregados - para levantar problemas e implementar melhorias nas condições de trabalho (tais como questões de ergonomia, iluminação entre outras).
Já na CCT de Rádio e TV, cujo acordo está em fase de fechamento, a cláusula 7ª estabelece a criação, no prazo de 90 dias após a assinatura da CCT, de uma comissão paritária formada por quatro membros, sendo dois indicados pelo sindicato laboral e dois indicados pelo sindicato patronal, para discutir condições de saúde aplicáveis ao exercício da profissão e implementar ações conjuntas de conscientização e prevenção à saúde e segurança no trabalho. A primeira reunião oficial desta comissão acontecerá dia 30 de junho de 2011 na sede do Sindjorce.
Desta forma, é importante que a categoria se manifeste, comunicando ao Sindjorce questões relativas à saúde do trabalhador, como casos de excesso de jornada e má adequação dos equipamentos, que acabam impactando em problemas com LER e DORT, além de depressão, alcoolismo, insônia e tantas outras doenças que acometem os trabalhadores. "Vamos nos empenhar para levantar a situação de saúde dos profissionais e fazer as comissões paritárias cumprirem seu papel", afirma o presidente do Sindjorce, Claylson Martins.
Acidentes e mortes
No Brasil, somente de 2007-2009, foram registrados 2.138.955 de acidentes de trabalho, sendo que 35.532 mil trabalhadores ficaram permanentemente incapacitados e 8.158 perderam suas vidas nos locais de trabalho - muitos dos quais jovens, em plena idade produtiva, cujas mortes poderiam ter sido evitadas. Em 2009, foram 723,5 mil acidentes de trabalho, com 2.496 óbitos. Se considerada uma jornada média de 8 horas diárias, as mortes no trabalho no Brasil equivalem uma morte a cada 3,5 horas, destaca documento da CUT Nacional. Os dados oficiais apontam, ainda, que 13.047 pessoas ficaram permanentemente incapacitados o que equivale a uma média de 43 trabalhadores por dia, que não retornarão mais ao trabalho, aposentando-se precocemente.


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