6 de outubro de 2010
Sindjorce participa de debate sobre estágios durante semana de comunicação da UFC
O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Ceará (Sindjorce) ,Claylson Martins, participou de um debate sobre estágio em jornalismo, durante a Semana de Comunicação que acontece na Universidade Federal do Ceará (UFC) que tem como tema as diretrizes curriculares.O debate foi proposto por professores e alunos de Jornalismo da UFC Cariri e teve como debatedores, além de Claylson, o jornalista e professor Anderson Sandes e a estudante de comunicação e membro da ENECOS (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação), Sâmela Braga. O evento, mediado pelo jornalista e professor Tiago Coutinho, também foi acompanhado pela diretora de Comunicação e Cultura do Sindjorce, Marina Valente, pela representante da Comissão de Ética e dirigente da Federação nacional dos Jornalistas (FENAJ), Ângela Marinho e pelo jornalista Rafael Mesquita.
De acordo com Tiago, os estudantes vêm enfrentando assédio das empresas que solicitam estagiários logo nos primeiros semestres do curso, tendo em vista que a universidade é a primeira a ter o curso de Jornalismo na região. Tiago afirmou que a coordenadoria de estágio da universidade tem a proposta de seguir um modelo baseado na lei de estágio criada em 2008. Para ele, a palestra dá início à discussão sobre o tema.
Claylson Martins declarou que o estágio não está desvinculado da questão das Diretrizes Curriculares e que existem algumas semelhanças entre o que pensam as entidades sobre os estágios. O presidente do Sindjorce apresentou a política da FENAJ sobre estágios e também contextualizou a luta da categoria pela implantação do curso de Jornalismo, desvinculado da Comunicação Social. Em relação ao estágio, Claylson explicou que a Fenaj recomenda o período de 6 meses renováveis por mais 6, o piso da bolsa PBIC, a carga horária de 20 horas, de preferência distribuídas em 4 horas diárias, acompanhamento da instituição de ensino e do sindicato, plano de estágio com cronograma, limitação do número de estudantes em relação ao de profissionais e nome publicado na matéria ou no expediente desde que acompanhado do nome do jornalista profissional responsável.
Claylson, também destacou a pré- sindicalização recentemente aprovada durante o Congresso Estadual da categoria e que está em fase de implementação e convidou os estudantes a conhecerem melhor as ações do sindicato.
O debatedor Anderson Sandes, declarou que existia no país uma verdadeira indústria dos estágios e que, na época em que se formou, nos anos 80, a exploração da mão de obra dos estudantes acontecia em larga escala. Porém, a partir da década de 90, segundo Sandes, a indústria dos estágios retornou com grande força. "Os estudantes, muitas vezes, passam 2 anos ganhando pouco e sendo explorados", declarou o professor. Para Sandes, a briga não é por estágio, mas por um bom emprego, e para um bom emprego é preciso uma boa formação.
Sâmela Braga, da ENECOS, afirmou que o estágio deve ser visto como aprendizado e reconheceu que a ENECOS falhou, já que desde 1996 deixou a discussão dos estágios um pouco de lado, mas que o tema provavelmente será discutido durante o COBRECOS (Congresso Brasileiro de Estudantes de Comunicação Social). A estudante afirmou que a reciclagem constante dos professores é necessária para que eles possam trazer a experiência para a sala de aula e também realizar um melhor acompanhamento do estagio e apresentou a cartilha construída pela entidade em 96 que afirma, "sozinho, aprender se torna sinônimo de apenas um verbo: virar-se".
Os estudantes presentes ao evento elogiaram a iniciativa questionando o fato do debate não ter sido realizado anteriormente. Afirmaram também que estarão mais atentos e críticos em relação ao estágio nas empresas de comunicação e elogiaram a iniciativa do Sindjorce de interiorizar as ações da entidade.


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