A diretoria do Sindjorce reuniu-se, no dia 1º de julho, com a chefia do Diário do Nordeste para verificar denúncias de desvio de função de repórteres do jornal, bem como apurar irregularidades na contratação de estagiários. Uma nova reunião ficou agendada para o fim do mês de agosto, quando a empresa responderá à proposta do Sindjorce de implantar na maior redação do Ceará um projeto-piloto de padronização das normas do estágio em Jornalismo. Na última terça-feira, dia 1º de julho, a presidente do Sindjorce, Déborah Lima, e a secretária-geral da entidade, Cristiane Bonfim, acompanhadas do assessor jurídico Carlos Chagas, se reuniram com o diretor-editor do Diário do Nordeste, Ildefonso Rodrigues, para apurar denúncias de irregularidades na contratação de estagiários, bem como checar a informação de que a empresa estaria incentivando os repórteres do jornal a usar celulares para filmar conteúdo destinado ao portal Verdes Mares, do mesmo grupo de comunicação.
Com o objetivo de sanar as irregularidades nos estágios, o Sindjorce apresentou à chefia do Diário a proposta de estágio acadêmico em Jornalismo elaborada pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e aprovada no XXXII Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado em 2006, em Ouro Preto (MG).
"Como o Diário é a maior redação do Ceará, a idéia é implantar um projeto piloto de estágio que possa servir de modelo para as demais empresas de comunicação do Estado e, quem sabe, do País", afirmou a presidente do Sindjorce, Déborah Lima.
O jornalista Ildefonso Rodrigues comprometeu-se a analisar o conteúdo da proposta e a agendar uma nova reunião com a diretoria do Sindjorce após a atualização do Programa de Estágio da Fenaj durante o XXXIII Congresso Nacional dos Jornalistas, que acontece de 20 a 24 de agosto, em São Paulo.
TECNOLOGIA NÃO REVOGA A LEI
Quanto à reclamação dos jornalistas de texto de estarem sendo cobrados a usar celulares da empresa para produzir imagens destinadas ao portal, Ildefonso afirmou que os profissionais não são "obrigados", mas apenas "orientados" a fazer as imagens. "São experiências que a gente está fazendo. Nunca houve qualquer tipo de exigência", disse o diretor-editor.
A diretoria do Sindjorce advertiu que a prática configura desvio de função e que somente repórteres-cinematográficos ou produtores de conteúdo para o portal poderiam desempenhar tais atividades.
"Os jornalistas do Diário foram contratados para escrever no jornal, não para fazer imagens para a internet. Portanto, qualquer função desempenhada fora do que prevê a lei que regulamenta a profissão de jornalista caracteriza irregularidade que precisa ser sanada", afirmou a presidente do Sindjorce.