As dificuldades que os jornalistas e os gráficos do Ceará e os sindicatos que os representam têm enfrentado na campanha salarial que se arrasta há oito e seis meses, respectivamente, repercutem no Legislativo. Na Câmara Municipal de Fortaleza ou na Assembleia Legislativa do Estado, parlamentares lançam questionamentos sobre a postura dos empresários da comunicação e prestam solidariedade aos profissionais. Trabalhadores pedem 1,02% de ganho real, mas patrões só oferecem 0,5% aos gráficos e 0% aos jornalistas.
Na Câmara Municipal, os vereadores João Alfredo (PSol) e Plácido Sobreira Filho (PDT), além de comparecerem ao ato realizado em frente ao jornal O Povo, no dia 6 de março, quando os manifestantes foram recebidos com aparato de segurança pública e privada, repercutiram em plenário a situação vivida hoje pelos jornalistas.
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço de Saúde de Fortaleza (Sintsaf), o vereador Plácido Filho solicitou moção de apoio ao Sindicato dos Jornalistas e registro nos anais da Casa da nota de repúdio do Sindjorce publicada quatro dias depois do protesto. "A nota (...) denuncia e repudia o modo como os jornalistas foram tratados em manifestação pacífica (...) A cada dia o profissional do Jornalismo vem sendo desrespeitado em sua profissão, seja na falta de condições de trabalho, seja nas precárias relações laborais; além da desvalorização salarial (...) As empresas buscam desagregar a categoria, e até utilizando a força de seguranças e de policiais militares para evitar a livre manifestação dos trabalhadores, algo condenável em nosso presente Estado Democrático de Direito, onde o diálogo é a base para o entendimento", argumenta Plácido no requerimento aprovado em plenário.
Quase um mês depois, outra nota do Sindjorce entrou para os anais do Legislativo municipal, desta vez a pedido do vereador João Alfredo. "Profissionais repudiam ataques ao Jornalismo" foi o título da nota publicada pelo Sindicato nos jornais no Dia do Jornalista, 7 de abril. "Faz-se necessário que esta Casa contribua com a luta pela valorização dos profissionais de imprensa, lançando reflexão sobre o assunto e registrando em seus anais a nota", defendeu João Alfredo.
Além dos dois, outros vereadores - o líder do PT, Ronivaldo Maia, e o líder da prefeita Luizianne Lins, ambos petistas, Acrísio Sena - participaram do ato realizado no dia 6 de março. A repercussão em plenário em defesa dos jornalistas contou com o apoio ainda dos vereadores Guilherme Sampaio (PT) e Iraguassu Teixeira (PDT).
Na Assembleia Legislativa, o deputado Nelson Martins, que já foi presidente do Sindicato dos Bancários, pede o entendimento e questiona a existência de um pacto entre os empresários de comunicação para impedir a divulgação das reivindicações dos seus empregados. "Deve haver diálogo da parte dos meios de comunicação para tentar ao máximo resolver esse impasse. Como sindicalista, entendo que os profissionais de imprensa e os gráficos têm grande dificuldade para fazer suas mobilizações. As mobilizações de todas as categorias são divulgadas pela imprensa, mas existe uma espécie de pacto entre as empresas para que não divulguem nada, para que não tenham repercussão as mobilizações dos jornalistas e gráficos. Não consigo acreditar que as empresas não possam atender uma reivindicação que representa um pouco mais que a inflação. O salário dos profissionais de imprensa poderia ser melhor do que é", avalia Nelson.