Empresas mantêm reajuste de 3,9% e travam negociação; Sindjorce aciona MPT e cobra proposta concreta

Sindatel antecipa aplicação do INPC para a folha de agosto, mas não apresenta qualquer avanço para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho dos jornalistas

As empresas de comunicação do Ceará decidiram manter o reajuste salarial de apenas 3,9%, correspondente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), sem apresentar qualquer avanço em relação às demais reivindicações dos jornalistas. A posição foi comunicada pelo Sindicato das Empresas de Rádio, Televisão e Jornais do Estado do Ceará (Sindatel) ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce), por meio de ofício encaminhado no dia 15 de julho.

No documento, o sindicato patronal informa que as empresas anteciparão para a folha salarial de agosto de 2026 a aplicação dos 3,9% sobre o piso e os demais salários. A medida, entretanto, limita-se à reposição da inflação e não contempla as reivindicações econômicas e sociais apresentadas pela categoria na Campanha Salarial 2026.

A resposta foi encaminhada após o Sindjorce reiterar a necessidade de avanços na negociação e cobrar esclarecimentos sobre as demandas entregues aos representantes patronais. Embora o Sindatel afirme reconhecer a legitimidade das reivindicações, voltou a alegar que as condições econômicas das empresas não permitiriam, neste momento, o atendimento integral dos pleitos.

Para o Sindjorce, o posicionamento é insuficiente e confirma a ausência de disposição concreta das empresas para negociar. A antecipação do INPC não pode ser apresentada como concessão, ganho adicional ou resposta efetiva à pauta dos jornalistas. Trata-se apenas da aplicação de um índice que recompõe parcialmente o poder de compra perdido com a inflação.

O Sindatel afirma que a antecipação não representa o encerramento das negociações e declara estar disposto a prosseguir com o diálogo. Na prática, porém, não apresentou alternativa ao índice de 3,9%, não indicou qualquer possibilidade de ganho real e tampouco respondeu concretamente às demais reivindicações necessárias à renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

A diretoria do Sindjorce considera contraditório sustentar um discurso de abertura ao diálogo enquanto se mantém, rodada após rodada, o mesmo percentual como única proposta apresentada à categoria. Para a entidade, a postura patronal demonstra intransigência e prolonga uma negociação que exige respostas objetivas, compromissos e avanços reais.

O presidente do Sindjorce, Rafael Mesquita, tem mantido contatos reiterados com o presidente do Sindatel, Marcos Tardin, cobrando a retomada efetiva das negociações e a apresentação de uma proposta capaz de contemplar as reivindicações dos jornalistas. Até o momento, contudo, o sindicato patronal não apresentou qualquer alternativa concreta aos 3,9%.

“A antecipação do percentual do INPC representa somente a reposição da inflação. Não responde ao conjunto das reivindicações apresentadas pela categoria, não constitui ganho real e não substitui uma negociação efetiva para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho. As empresas precisam deixar o discurso genérico de abertura ao diálogo e apresentar uma proposta concreta aos jornalistas”, afirma Rafael Mesquita.

Sindjorce solicita mediação do Ministério Público do Trabalho

Diante da manutenção dos 3,9% e da falta de avanços concretos, o Sindjorce solicitou a instauração de procedimento de mediação junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT), por meio da Procuradoria Regional do Trabalho da 7ª Região (PRT-7), no âmbito da negociação coletiva em curso com o Sindatel.

O pedido já foi protocolado. O Sindicato atua agora para agilizar a designação da audiência, buscando que ela seja realizada na data mais próxima possível. A mediação tem como objetivo restabelecer uma negociação efetiva e cobrar das empresas uma posição objetiva sobre a pauta apresentada pelos jornalistas.

A iniciativa tornou-se necessária diante da repetição da proposta de 3,9% e da ausência de respostas às demais reivindicações da categoria. Para o Sindjorce, não é aceitável que as empresas restrinjam toda a discussão da Campanha Salarial 2026 à aplicação do índice inflacionário, ignorando os demais direitos, benefícios e condições de trabalho que integram a pauta.

O presidente do Sindjorce, Rafael Mesquita, acompanha diretamente o andamento do pedido e mantém as articulações para acelerar a realização da audiência. A expectativa é de que o Sindicato receba, nos próximos dias, um retorno sobre a designação da mediação.

Auxílio-alimentação também é prioridade

Entre as reivindicações prioritárias do Sindjorce está a inclusão do auxílio-alimentação na Convenção Coletiva de Trabalho. Em 2026, os jornalistas do Ceará ainda não contam com esse benefício de maneira universal nas empresas de comunicação abrangidas pela negociação.

Atualmente, apenas o Sistema Verdes Mares concede auxílio-alimentação aos seus trabalhadores, por meio de uma política própria da empresa e fora das regras estabelecidas na Convenção Coletiva.

O Sindjorce cobra que o benefício seja incorporado à CCT para assegurar o acesso a todos os jornalistas, independentemente da empresa em que trabalham. A entidade considera que a inexistência dessa garantia coletiva representa um atraso nas relações de trabalho do setor e uma desigualdade que precisa ser enfrentada pelas empresas.

“Não é razoável que um benefício básico, diretamente relacionado às condições de subsistência e à qualidade de vida dos trabalhadores, continue dependendo exclusivamente da decisão isolada de cada empregador. A reivindicação é pela universalização do auxílio-alimentação e pela sua garantia formal na Convenção Coletiva”, afirma Rafael Mesquita.

Sindicato discutirá próximos passos com a categoria

Diante da resposta patronal e do atual estágio das negociações, a diretoria do Sindjorce deverá discutir a convocação de uma nova assembleia de jornalistas para avaliar o andamento da Campanha Salarial 2026 e deliberar sobre os próximos passos da mobilização.

A antecipação dos 3,9% para a folha de agosto não encerra a negociação, não representa aceitação do índice pela categoria e não retira das empresas a obrigação de discutir os demais pontos da pauta.

O Sindjorce continuará cobrando uma proposta que contemple valorização salarial, ampliação de direitos e garantia de benefícios capazes de proporcionar melhores condições de trabalho e qualidade de vida aos jornalistas.

Leia, na íntegra, o ofício enviado pelo Sindatel ao Sindjorce.

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