
O Programa Jovem Jornalista realizou, na noite de ontem (02), o Módulo 6 com o tema “Movimentos Sociais e Democratização da Comunicação”, trazendo como convidada a jornalista Katia Marko, editora-chefe do Brasil de Fato RS, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), representante do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) e vice-presidenta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS). A aula foi mediada por Bemfica de Oliva, diretora de Segurança e Defesa do Exercício Profissional do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce).
Com ampla trajetória na comunicação popular, Katia revisitou a história da luta pela democratização da comunicação no Brasil, desde os primeiros movimentos nos anos 1980 até a consolidação do FNDC em 1995. Ela alertou para a persistente concentração midiática no país e para a ausência de regulamentação dos dispositivos constitucionais referentes à comunicação social, fatores que, segundo ela, continuam limitando a construção de um sistema verdadeiramente plural. “Democratizar a comunicação é garantir que todas as vozes tenham condições reais de participar da vida pública. Sem isso, não há democracia plena”, afirmou.
A convidada também apresentou o trabalho de organizações como Intervozes, Coalizão Direitos na Rede e Barão de Itararé, destacando o papel fundamental das mídias comunitárias, periféricas, alternativas e populares na ampliação do acesso à informação e na defesa da comunicação como direito humano. Um dos momentos centrais da aula foi a discussão sobre soberania digital e o impacto do poder concentrado de plataformas como Meta e Google, descrito por ela como uma nova forma de colonialismo digital que afeta a liberdade de expressão e a autonomia da produção de conteúdo. Katia citou casos de remoções arbitrárias de páginas e perfis, reforçando a urgência de políticas públicas de regulação e de fortalecimento da infraestrutura nacional.
O encontro também abriu espaço para uma conversa aprofundada sobre ética jornalística, motivada pela análise de um caso recente de violência em uma escola cearense. Participantes e coordenação discutiram desigualdades na cobertura entre instituições públicas e privadas, a falta de contextualização nos relatos e falhas nas estratégias de comunicação de crise. As reflexões destacaram ainda a necessidade de maior diversidade racial nas redações e do letramento antirracista como componente essencial para uma prática jornalística ética e responsável, com referência a materiais e iniciativas de formação voltadas à representatividade e à equidade.
No momento final da aula, os alunos puderam dialogar com a convidada sobre financiamento e sustentabilidade do jornalismo independente. Katia explicou como o Brasil de Fato organiza seu modelo editorial e financeiro, apoiado em editais, projetos e iniciativas próprias, e como essa estrutura permitiu que o veículo se consolidasse nacionalmente, especialmente durante a pandemia. O debate destacou a importância do fortalecimento de políticas públicas e de redes de apoio para garantir a continuidade da comunicação alternativa no país.
O presidente do Sindjorce, Rafael Mesquita, ressaltou a importância da presença desses temas na formação dos futuros profissionais da comunicação. “O Jovem Jornalista prepara uma geração que entende a dimensão pública da nossa profissão. Discutir democratização da comunicação, soberania digital e diversidade é fundamental para formar jornalistas comprometidos com a democracia e com a sociedade”, afirmou.
O Programa Jovem Jornalista é uma iniciativa pioneira do Sindjorce, com apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e financiamento do Governo do Estado do Ceará, por meio da Casa Civil. A proposta é formar novas lideranças comprometidas com o fortalecimento da categoria, o sindicalismo e a defesa da liberdade de imprensa.










