Mediação no MPT termina sem acordo e Sindjorce convoca assembleia para definir rumos da negociação de Rádio e TV

A segunda rodada de mediação no  Ministério Público do Trabalho (MPT) entre o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) e o Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado do Ceará (Sindatel) terminou sem acordo na última quarta-feira (12). O encontro durou mais de duas horas e meia, mas o setor patronal não apresentou uma nova proposta nem aceitou a alternativa apresentada pelo sindicato dos jornalistas.

Diante do impasse, o Procurador do Trabalho Ricardo Araújo Cozer determinou o arquivamento do procedimento de mediação. No relatório, o MPT registra que o Sindatel manteve a proposta apresentada na sessão anterior e informou não ter condições de melhorá-la. Sem consenso entre as partes, o procedimento administrativo foi encerrado.

A proposta patronal prevê reajuste salarial de 3,9% a partir da folha de agosto de 2026 e o pagamento de um abono de 5%, referente ao período de janeiro a julho, parcelado em três vezes. Os termos já haviam sido apresentados na primeira rodada de mediação.

Na tentativa de avançar nas negociações, o Sindjorce apresentou uma alternativa que mantinha as condições propostas pelo Sindatel, mas acrescentava a criação de um benefício mensal de R$ 300,00 a partir de agosto. O valor poderia ser destinado a auxílio-alimentação, cesta básica, auxílio-saúde ou outro benefício a ser definido em negociação. A entidade também defendeu a inclusão de medidas voltadas à promoção da inclusão, da diversidade e da equidade, além do combate à discriminação nas relações de trabalho. Todas as medidas foram negadas pelos patrões nesta última rodada.

Para o presidente do Sindjorce, Rafael Mesquita, a manutenção da proposta patronal e a reiterada intransigência das empresas não respondem às reivindicações da categoria e representam um retrocesso nas relações de trabalho.

“Foi uma reunião muito difícil. Enquanto bancada laboral, tivemos que colocar os pingos nos is e chamar os empregadores à responsabilidade. Estamos diante de relações de trabalho retrógradas que ainda carregam práticas extremamente atrasadas e que não acompanham o que já é comum nas relações trabalhistas em 2026”, afirmou.

Rafael também chamou atenção para a ausência de benefícios que, segundo o próprio relatório do MPT, já são assegurados há anos a trabalhadores de outras categorias. O documento aponta que os jornalistas empregados em empresas de rádio e televisão no Ceará ainda não contam, por exemplo, com auxílio-alimentação, vale-refeição, cesta básica ou auxílio-saúde previstos em convenção coletiva.

Perdas salariais e condições de trabalho

No peticionamento inicial apresentado pelo Sindjorce ao MPT, o sindicato destacou a defasagem salarial acumulada pelos jornalistas de rádio e televisão no Ceará. Entre 2019 e 2025, os reajustes concedidos à categoria não foram suficientes para recompor integralmente as perdas inflacionárias. Nesse período, o poder de compra dos salários caiu para aproximadamente 90,47% do registrado no início da série, o que representa uma perda real acumulada de 9,53%.

Além da recomposição salarial, o Sindjorce apresentou reivindicações relacionadas às condições de trabalho e à valorização profissional, como auxílio-alimentação, combate à pejotização e à precarização das relações de trabalho, cumprimento da jornada legal e pagamento de horas extras, atenção à saúde mental, segurança em coberturas de risco, adicional de 20% para o trabalho multiplataforma, auxílio-saúde e políticas de igualdade e combate à discriminação.

Na avaliação do MPT, também foram consideradas as particularidades e os riscos do exercício do jornalismo em rádio e televisão, como a pressão temporal, a intensificação do trabalho, a multifuncionalidade e a exposição frequente dos profissionais a acontecimentos potencialmente traumáticos.

Categoria vai decidir os próximos passos

Com o encerramento da mediação, o Sindjorce convoca a categoria para uma Assembleia Geral Extraordinária na próxima segunda-feira (17), às 18h, em primeira convocação, e às 18h30, em segunda convocação.

A assembleia será realizada em formato híbrido, com participação presencial na sede do Sindjorce, na Rua Joaquim Sá, 545, Dionísio Torres, em Fortaleza, e participação on-line pela plataforma Zoom.

Na pauta, os jornalistas irão apreciar e deliberar sobre a proposta patronal para a Convenção Coletiva de Trabalho dos profissionais de Rádio e Televisão. Também serão apresentados informes e realizadas deliberações sobre as campanhas salariais dos jornalistas de Jornais e Revistas e de Assessoria de Comunicação, além de outros informes e deliberações.

“É hora de a gente se reunir em assembleia e decidir coletivamente o desfecho dessa negociação coletiva. Que caminhos vamos dar para essa negociação coletiva?”, convocou Rafael Mesquita.

A participação da categoria será fundamental para definir os próximos passos da campanha salarial e fortalecer a negociação coletiva dos jornalistas no Ceará.

 

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