Mesmo insatisfeitos, jornalistas de rádio e TV buscam saída digna para fechar acordo

Jornalistas do Ceará em Assembleia online

Mesmo considerando insuficiente a proposta apresentada pelas empresas, jornalistas de rádio e televisão do Ceará decidiram avançar com uma contraproposta para a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2025, na tentativa de encerrar o processo negocial sem mais atrasos. A decisão foi tomada em Assembleia Geral Extraordinária virtual realizada na última terça-feira (10), convocada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce).

A proposta patronal, apresentada com meses de atraso, previa apenas o reajuste salarial pelo índice inflacionário do período (4,77%) e não contemplava as cláusulas sociais apresentadas pela categoria ao longo de diversas rodadas de negociação. Diante disso, os profissionais demonstraram insatisfação, mas também disposição para construir um desfecho equilibrado e possível diante da resistência patronal.

“A categoria entendeu que não dá mais para esperar. Mesmo diante de uma proposta aquém do necessário, decidimos apresentar uma saída viável, que represente minimamente valorização para quem faz o jornalismo acontecer todos os dias”, afirmou o presidente do Sindjorce, Rafael Mesquita.

Cláusulas sociais foram ignoradas

Nas negociações, o Sindjorce defendeu a inclusão de cláusulas sociais com foco em direitos, inclusão e bem-estar profissional. No entanto, a bancada patronal recusou todas essas pautas, o que gerou frustração entre os trabalhadores. Entre os pontos ignorados estão:

  1. A universalização do auxílio-alimentação, a ser pago em dinheiro ou vale, garantindo acesso a todos os jornalistas da base;
  2. A adesão ao Programa Empresa Cidadã, que amplia a licença-maternidade para 180 dias e a licença-paternidade para 20 dias;
  3. A criação de cláusulas de inclusão, voltadas à inserção e permanência de pessoas negras, transexuais e com deficiência nas redações e demais espaços profissionais.

Para o sindicato, essas propostas representam avanços mínimos e exequíveis, e sua rejeição por parte dos empregadores revela resistência até mesmo a políticas básicas de valorização humana.

Contraproposta visa encerrar o impasse

Frente à recusa das empresas em avançar nas cláusulas sociais e ao desejo da categoria de concluir o processo, a assembleia deliberou por uma contraproposta unificada, protocolada junto ao sindicato patronal. Os principais pontos são:

  1. Reajuste salarial de 5%, arredondando o índice proposto pelas empresas (4,77%) — uma diferença nominal de pouco mais de R$ 7,00 no piso salarial, considerada perfeitamente viável;
  2. Pagamento do retroativo referente à data-base (1º de janeiro de 2025) na forma de abono, sem incidência de encargos trabalhistas e previdenciários, destinado a todos os jornalistas representados pela convenção;
  3. Aceitação da cláusula de capacitação com nova redação apresentada pelo patronal, que modifica a proposta original do Sindjorce, como medida de aprimoramento técnico;
  4. Proposta de um prêmio financeiro no valor de R$ 3.000,00 por trabalhador, como forma de reconhecimento simbólico ao esforço, à dedicação e à resiliência da categoria.

Sindicato espera resposta e reforça disposição para o diálogo

Com a contraproposta formalizada, o Sindjorce aguarda a manifestação da bancada patronal e reforça que está aberto ao diálogo para concluir a negociação de forma justa.

“A categoria já flexibilizou. Mesmo diante de um cenário desafiador, estamos tentando viabilizar um acordo minimamente digno. Esperamos agora que o patronal também demonstre responsabilidade e compromisso com quem sustenta as redações todos os dias”, concluiu Rafael Mesquita.

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