Morte de radialista evidencia a negligência do Grupo Cidade com a Pandemia

Conglomerado de mídia cearense é epicentro de contaminação de profissionais de imprensa pelo novo coronavírus

A morte do profissional de rádio Pedro Hallan nesta segunda-feira (08), em decorrência do novo coronavírus, evidencia a situação caótica do Grupo Cidade de Comunicação. Com apenas 28 anos, Pedro era radialista e atuava na área técnica das rádios Jovem Pan Fortaleza e Cidade AM, emissoras pertencentes ao Grupo. Há quase um mês a sede do conglomerado de comunicação é foco de contaminação da Covid-19. Conforme números repassados ao Sindicato dos Jornalistas do Ceará, estima-se que cerca de duas dezenas de trabalhadores já teriam sido infectados no local e muitos deles seguem afastados por conta da doença e há pelo menos uma pessoa internada em unidade hospitalar.

Em meados fevereiro, antes da morte do radialista, o Sindjorce já tinha enviado pelo menos duas correspondências ao conglomerado formado pelo portal de notícias GC+, as rádios (Atlântico Sul FM 105.7, Cidade 99.1, Jovem Pan Fortaleza 94,7, Jovem Pan News 92,9, Jovem Pan Jericoacoara 91,7, 89,9 FM e Cidade AM 860) e a TV Cidade. Nos documentos, a entidade laboral cobrava a retomada de alerta total, assim como novas medidas de combate ao coronavírus nas empresas de comunicação. No entanto, de acordo com informações de trabalhadores, a diretoria da empresa negligenciou as orientações e manteve o regime de trabalho presencial tal como antes, contrariando inclusive o modus operandi de outras mídias locais, que, tão logo observaram o cenário de recrudescimento da pandemia no estado, devolveram grande parte de suas equipes para o trabalho home office, de forma a preservar a vida dos profissionais.

O foco inicial de infecção, segundo uma série de relatos, foram os estúdios de rádio, mas a situação já havia, até a semana passada, se espalhado por todos os setores da empresa, atingindo radialistas, jornalistas e outras equipes. Sem aplicar testagem coletiva, adotar medidas de contenção, segurança e higiene e ao manter o regime de trabalho totalmente presencial, a empresa assumiu o ônus do contágio, que agora está sendo cobrado por meio de vidas perdidas.

Especula-se inclusive, em comentários que circulam no meio, que o ex-vereador Iraguassu Teixeira, falecido em 22 de fevereiro deste ano, vítima da Covid-19, teria contraído a doença na onda inicial de contaminação do GCC, que começou nas emissoras radiofônicas. Iraguassu tinha assento na programação de uma das rádios.

Diante da gravidade da situação, o Sindicato dos Jornalistas já havia notificado a Secretaria de Saúde do Ceará sobre o caso. “É preciso que autoridades de saúde e de vigilância sanitária tomem medidas efetivas junto à empresa, que tem feito, da administração à assessoria jurídica, ouvidos moucos para as demandas laborais. Neste momento, os trabalhadores do Grupo Cidade temem por suas vidas e de seus familiares e se sentem reféns de uma situação que poderia ser amenizada”, destaca Rafael Mesquita, presidente do Sindjorce.

Uma crise que poderia ser evitada

Para Mesquita, o Grupo Cidade é o epicentro de uma crise que poderia, a todo custo, ser evitada. “É preciso que a empresa, que não adotou medidas como a diminuição da escala de trabalhadores em sua sede, passe a dar a devida atenção ao caso. Como ação urgente, é necessário realizar a testagem de todos os trabalhadores, para que o diagnóstico e confirmação da doença se dê no tempo imperioso para a procura de socorro médico e hospitalar, assim como para frear o surto”, aponta o presidente do Sindjorce.

O sindicato argumenta ainda que é preciso decretar quarentena imediata na sede da empresa, além da desinfecção diária de todos os espaços, do fornecimento de EPIs para todos os profissionais (máscaras, luvas, álcool em gel), da desinfecção dos equipamentos e das viaturas após o uso de cada equipe, do transporte isolado, tipo Uber ou táxi, no deslocamento entre a residência e a redação, da prestação de assistência médica, social e psicológica aos infectados, via plano de saúde ou não, e da realização de contratações emergenciais para suprir temporariamente as funções dos afastados pelo Covid-19.

Pesar e luta em nome de Pedro Hallan

Ao passo que levanta estas questões imprescindíveis, o Sindicato dos Jornalistas do Ceará manifesta seu profundo pesar pelo falecimento de Pedro Hallan, uma perda lamentável para todos e que devastou a imprensa cearense nesta segunda-feira nebulosa.

Mas a forma da entidade máxima dos jornalistas do Ceará manifestar o luto pela partida precoce do radialista, profissão irmã dos operários da notícia, não é inerte. “Assumimos aqui o nosso papel de fiscal dos direitos dos profissionais de jornalismo e estendemos o nosso olhar a todos os que militam na imprensa. Não podemos permitir que empresas de comunicação se abstenham da responsabilidade que devem às vidas que empregam em suas dependências. Diante disso, reiteramos que lutaremos para a adoção de adequadas medidas para prevenção do contágio e enfrentamento dessa doença, para que o Grupo Cidade passe a atender, de uma vez por todas, as determinações dos órgãos de saúde e autoridades sanitárias”, aponta Rafael Mesquita.


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