Movimento sindical amplia pressão popular em semana decisiva no Congresso pela votação da PEC do fim da escala 6×1

Com reforço no ambiente digital, a mobilização passou a contar com a plataforma Na Pressão, criada pela CUT para ampliar a participação popular nas pautas em debate no Congresso Nacional.

A redução da jornada de trabalho no Brasil entra em uma semana decisiva no Congresso Nacional. A proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, deve avançar na Câmara dos Deputados nos próximos dias e pode beneficiar cerca de metade dos trabalhadores do país.

Na semana passada, o governo federal e lideranças da Câmara chegaram a um acordo em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema. O texto prevê a adoção da escala 5×2, com dois dias de descanso semanal, além da redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução de salários.

O deputado Leo Prates (Republicanos-BA), relator responsável por consolidar duas propostas sobre o tema — uma apresentada por Reginaldo Lopes (PT-MG) e outra por Erika Hilton (PSOL-SP) — deve apresentar o relatório final nesta quarta-feira (20).

A previsão é que a matéria seja votada no dia 27 de maio na Comissão Especial da Câmara, juntamente com o Projeto de Lei nº 1.838/2026, enviado pelo governo federal. Caso seja aprovada, a proposta seguirá para votação no plenário da Câmara no dia 28 de maio e, posteriormente, para análise do Senado.

Apesar do avanço na tramitação, dirigentes sindicais alertam para o risco de tentativas de adiamento ou de mudanças no texto que possam reduzir o alcance da proposta.

Sindjorce defende avanço com garantia de direitos

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce), em conjunto com a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e demais sindicatos da categoria, apoia o fim da escala 6×1 e a ampliação do tempo de descanso, mas ressalta a importância de preservar os direitos históricos dos jornalistas.

Para o presidente do sindicato, Rafael Mesquita, o debate sobre a redução da jornada não pode abrir espaço para retrocessos.

“A redução da jornada é uma pauta importante para os trabalhadores e pode representar um avanço nas condições de vida da população. No caso dos e das jornalistas, porém, é essencial que qualquer mudança respeite a jornada especial da categoria e não seja utilizada como brecha para flexibilizar direitos ou reduzir garantias históricas da profissão”, afirma.

Plataforma amplia pressão popular

A mobilização em torno da redução da jornada também ganhou reforço no ambiente digital com a plataforma Na Pressão, criada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) para ampliar a participação popular em pautas discutidas no Congresso Nacional.

A ferramenta permite que trabalhadores, militantes e cidadãos enviem mensagens diretamente a parlamentares, ministros, magistrados e outros representantes públicos por e-mail, telefone ou redes sociais, fortalecendo campanhas de interesse coletivo.

A plataforma funciona como um canal organizado de pressão política e social, reunindo campanhas temáticas e contatos de autoridades para facilitar o envio de mensagens e ampliar a mobilização da sociedade.

Agenda de mobilização nacional

20 de maio (quarta-feira)
Dia de pressão popular aos parlamentares por meio da plataforma Na Pressão e mobilização nas redes sociais.

22 de maio (sexta-feira)
Mobilização nacional pelo fim da escala 6×1.

24 de maio (domingo)
Dia Nacional de Lutas pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho, com atos em todo o país e mobilizações nas ruas e nas redes sociais.

25 a 27 de maio
Nova rodada de pressão popular aos parlamentares por meio da plataforma “Na Pressão” e mobilização digital.

26 a 28 de maio
Dias previstos para votação da proposta.

Petição pública disponível em: https://brasilquermaistempo.com.br/

 

 

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