O levantamento revela que, no setor da Comunicação, os trabalhadores sindicalizados têm rendimento médio 53% maior do que os não sindicalizados.

Trabalhadores associados a sindicatos no Brasil têm rendimento médio 55% superior ao daqueles que não são sindicalizados. O dado é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), com base na PNAD Contínua 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o levantamento, enquanto o rendimento médio dos trabalhadores não associados foi de R$ 2.963, o dos sindicalizados chegou a R$ 4.590. A diferença aparece em praticamente todos os setores da economia. Na administração pública, defesa e seguridade social, por exemplo, trabalhadores sindicalizados recebem, em média, 69% a mais do que os não sindicalizados.
No setor de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, no qual estão incluídos jornalistas e demais trabalhadores da Comunicação, o rendimento médio dos trabalhadores sindicalizados é 53% superior, evidenciando o impacto direto da organização coletiva na valorização profissional, nas condições de trabalho e na garantia de direitos.
Além da renda mais elevada, o estudo aponta um crescimento da taxa de sindicalização em 2024, que chegou a 8,9%, interrompendo uma sequência de quedas registrada desde 2012. Em 2023, o percentual era de 8,4%.
Para o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce), Rafael Mesquita, os números comprovam, com dados concretos, a importância da filiação sindical.
“Esses dados mostram que o sindicato não é custo, é necessidade coletiva. Onde há organização sindical estruturada pela base, há melhores salários, mais direitos e mais proteção para os trabalhadores. A filiação fortalece a categoria, a entidade representativa e amplia nossa capacidade de negociação”, destaca.
O levantamento do DIEESE também evidencia que os setores com maior presença sindical costumam conquistar reajustes salariais acima da inflação, além de cláusulas que garantem benefícios, estabilidade e melhores condições de trabalho. Em 2024, a maioria das negociações coletivas resultaram em ganhos reais, fruto direto da atuação sindical.
Organização coletiva em contraste com a Lei do Profissional Multimídia
Os dados ganham ainda mais relevância diante da recente sanção da Lei do Profissional Multimídia (Lei nº 15.325/2026), que cria uma categoria genérica no campo da comunicação sem definir piso salarial, jornada específica, direitos ou mecanismos de negociação coletiva.
Enquanto a sindicalização se mostra um fator decisivo para a valorização do trabalho, a nova legislação aponta no sentido oposto: fragiliza vínculos, dilui atribuições profissionais e abre espaço para a substituição de trabalhadores com direitos consolidados por contratações mais precárias, especialmente no setor da comunicação.
Para o Sindjorce, o contraste é evidente. Onde há sindicato forte, há salário digno e proteção. Onde prevalecem categorias genéricas e sem organização coletiva, crescem a precarização, o rebaixamento salarial e a perda de direitos — realidade que ameaça diretamente o jornalismo.
Diante das transformações no mundo do trabalho e dos desafios impostos pela Lei do Profissional Multimídia, a sindicalização segue sendo um instrumento essencial de defesa profissional, valorização salarial e fortalecimento da democracia.










