Plebiscito decide pelo encerramento das negociações da Convenção Coletiva de Rádio e TV 2025

Com 57,4% dos votos, jornalistas da base de rádio e televisão do Ceará aprovam proposta final patronal, apesar de críticas. Consulta contou com participação de trabalhadores dos principais veículos do estado.

Os jornalistas que atuam em rádio e televisão no Ceará aprovaram, por maioria simples, o encerramento das negociações da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2025 com os termos apresentados pelas empresas. O resultado foi definido por meio de plebiscito online, realizado entre os dias 25 e 30 de julho, convocado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce).

Com 57,4% dos votos, a maioria dos participantes optou por aceitar a proposta patronal — que prevê reajuste salarial de 4,77% (equivalente ao INPC de 2024), pagamento retroativo como abono e cláusula de capacitação profissional. Outros 42,6% rejeitaram a proposta e defenderam a continuidade das negociações.

A consulta, realizada de forma ampliada e online, teve a participação de profissionais dos principais veículos de radiodifusão do estado e buscou dar legitimidade à decisão da categoria diante de um dos processos mais complexos dos últimos anos.

Uma das campanhas mais difíceis da última década

As negociações da CCT 2025 se iniciaram em janeiro, mês da data-base da categoria, e se estenderam por sete meses. Foram quatro rodadas formais com o sindicato patronal (SINDATEL), além de contatos informais e assembleias convocadas pelo Sindjorce ao longo do primeiro semestre.

A proposta inicial das empresas previa apenas 4% de reajuste, o que foi considerado insuficiente. Após pressão e articulação do sindicato, o índice foi ampliado para 4,77%, equivalente à inflação acumulada do período. Ainda assim, a categoria, em assembleia, deliberou por uma contraproposta que incluía:

  • Reajuste de 5%;
  • Pagamento retroativo como abono;
  • Proposta de prêmio simbólico de R$ 3.000,00 por jornalista.

Em resposta, o SINDATEL manteve apenas o reajuste inflacionário, o abono retroativo e a nova redação da cláusula de capacitação, rejeitando todas as demais propostas sociais e econômicas.

Resultado crítico: categoria diz “sim” com repúdio

Apesar da aprovação do encerramento da campanha, o resultado do plebiscito não representa uma aceitação plena ou um endosso à proposta patronal. Ao contrário: o que se observou foi uma decisão crítica, marcada por frustração, cansaço e senso de realidade diante da intransigência das empresas.

“O reajuste aprovado não é o que merecemos, nem o acordo que gostaríamos de assinar. Mas, depois de sete meses de negociação, com as empresas irredutíveis e ignorando todas as cláusulas sociais, a categoria optou por encerrar o processo de forma digna, com o reajuste da inflação e abono, ainda que com repúdio à postura patronal”, afirma o presidente do Sindjorce, Rafael Mesquita.

Essa percepção foi reforçada pelo próprio resultado do plebiscito, em que 42,6% dos votantes disseram não à proposta final. A base está dividida, mas consciente de que a campanha não trouxe as conquistas sociais necessárias.

A maioria que votou pelo “sim” reconheceu que o momento exigia uma conclusão, mas deixou clara sua insatisfação com o desfecho. Foi, sobretudo, uma decisão de responsabilidade coletiva diante da estagnação negocial.

Participação significativa e legitimidade da consulta

O plebiscito teve participação expressiva de jornalistas de diversos veículos do estado. A maioria (72,3%) dos votantes não havia participado das assembleias anteriores, o que justifica o uso do instrumento como forma de consulta mais abrangente.

Com o encerramento formal da campanha, o Sindjorce considera cumprido o compromisso de escutar a base de forma transparente e reafirma que as pautas sociais seguem como prioridade.

Resultado será oficializado

O Sindjorce informa que o sindicato patronal está sendo oficialmente comunicado sobre o resultado do plebiscito. Com isso, será dado andamento à finalização do texto da Convenção Coletiva de Trabalho 2025, que deverá ser assinado por ambas as partes e posteriormente registrado no Sistema Mediador do Ministério do Trabalho e Emprego, garantindo validade legal ao instrumento coletivo.

Próximos passos: manter a luta viva

O Sindjorce reforça que, mesmo diante da rejeição patronal, as cláusulas sociais propostas seguirão sendo pauta da luta sindical.

“O fato de não termos conquistado tudo agora não nos fará desistir. Vamos continuar cobrando valorização, inclusão e respeito aos jornalistas. A campanha termina, mas nossa luta por direitos segue firme”, conclui Mesquita.

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