
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) realizou, na última quinta-feira (29), a live de lançamento da Campanha Salarial 2026 das jornalistas e dos jornalistas cearenses, marcando o início de um novo ciclo de mobilização, organização e luta da categoria por valorização profissional, direitos trabalhistas e melhores condições de trabalho.
A transmissão foi apresentada pelo jornalista e diretor de Comunicação do Sindjorce, Igor Thawen, e contou com a participação de importantes lideranças do jornalismo brasileiro: Samira de Castro, presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e diretora Jurídica e Previdenciária do Sindjorce; Fernanda Gama, secretária de Mobilização da Fenaj e presidenta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba); e Rafael Mesquita, presidente do Sindjorce e diretor da Fenaj.
Como convidada especial, a live recebeu a jornalista e escritora Cristina Serra, profissional com ampla trajetória na imprensa brasileira, comentarista do ICL Notícias, apresentadora do programa Brasil no Mundo (TV Brasil) e autora de cinco livros, entre eles Cidade Rachada.
Com o slogan “A notícia vale. Quem produz, também”, a Campanha Salarial 2026 foi apresentada como uma iniciativa que articula a luta local com o movimento nacional da categoria, reforçando a importância da organização sindical, da unificação das pautas e da mobilização coletiva diante do cenário de precarização do trabalho jornalístico no Brasil.
Durante sua fala, a presidenta da Fenaj, Samira de Castro, destacou o caráter nacional da campanha e os múltiplos desafios enfrentados pela categoria:
“A Campanha Salarial Nacional Unificada 2026 foi lançada no final do ano passado, em Brasília, e representa um esforço conjunto de 31 sindicatos de jornalistas para lutar nacionalmente por melhores condições de trabalho e por negociações coletivas que reflitam os verdadeiros interesses da categoria, que precisa ser valorizada. Vivemos um contexto de desinformação em massa, de impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho, de ataques aos direitos profissionais e de tentativas de legitimar a chamada ‘Lei do Profissional Multimídia’, que busca reconhecer como função aquilo que já exercemos — em afronta à Constituição. Esse conjunto de lutas envolve salário, jornada, condições reais de trabalho, segurança nas redações e defesa da profissão. É isso que estamos construindo com a Campanha Salarial Nacional Unificada.”, afirmou Samira Castro.
A secretária de Mobilização da Fenaj, Fernanda Gama, também reforçou a importância da unificação nacional da luta:
“Em um cenário de pejotização, perda de direitos e sobrecarga de trabalho, é fundamental dizer com clareza para a categoria e para a sociedade: jornalismo é trabalho, exige salário digno, respeito aos direitos e valorização. Unificar a campanha fortalece a pressão e mostra que a luta de cada sindicato faz parte de uma luta nacional. PJ não negocia, MEI não conquista direitos. Quem conquista é a categoria organizada, com seus sindicatos fortalecidos e mobilizados. Valorizar quem produz a notícia é defender a informação, a democracia e a sociedade.”, pontuou Fernanda Gama.
Durante sua participação, Cristina Serra destacou o paradoxo vivido pela profissão no contexto atual:
“Nunca a sociedade precisou tanto de jornalistas qualificados, comprometidos com a democracia e com a informação de interesse público e, ao mesmo tempo, nunca a profissão esteve submetida a condições tão degradantes de trabalho. Defender melhores salários e condições dignas é também defender a qualidade do jornalismo e a democracia.”, declarou Cristina Serra.
O presidente do Sindjorce, Rafael Mesquita, ressaltou que a campanha vai além da pauta econômica e expressa uma luta estrutural pela dignidade da profissão:
“Valorizar quem produz a notícia é defender a informação, a democracia e a sociedade. A Campanha Salarial 2026 organiza nossas lutas em torno do reconhecimento profissional, do combate à precarização e da construção de direitos coletivos que garantam condições reais de trabalho para a categoria.”, disse Rafael Mesquita.
Durante o debate, foram destacados temas centrais para a campanha salarial da categoria, como:
- valorização salarial e recomposição de perdas históricas;
- combate à precarização, à pejotização e à informalidade;
- defesa da jornada legal e do pagamento correto de horas extras;
- enfrentamento à sobrecarga de trabalho e à lógica da multitarefa;
- saúde mental, segurança no exercício profissional e proteção contra violências;
- reconhecimento do jornalismo como atividade essencial à democracia;
- regulação das plataformas digitais e valorização do trabalho jornalístico no ambiente digital.
Ao final do debate, o espaço foi aberto para a participação do público, que pôde enviar perguntas aos convidados e às lideranças sindicais, fortalecendo o caráter democrático, participativo e coletivo da construção da campanha.
As falas reforçaram que não existe jornalismo forte sem trabalho valorizado, e que defender condições dignas de trabalho é também defender o direito da sociedade à informação de qualidade, à democracia e à cidadania.
A live marcou não apenas o lançamento formal da campanha, mas também o início de um processo contínuo de diálogo com a categoria, mobilização nos locais de trabalho e construção coletiva das lutas que vão nortear o ano de 2026.
A transmissão completa está disponível no YouTube e nas redes sociais do Sindjorce.










