Sindjorce realiza oficina sobre Comunicação e Direitos LGBTI+ com foco em uma nova ética do discurso

Turma do presencial, na sede do Sindjorce

Na noite da última quarta-feira (16), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) sediou mais uma edição da Oficina de Comunicação e Direitos LGBTI+, reunindo jornalistas, estudantes de comunicação e profissionais de diferentes regiões do país. O encontro ocorreu de forma híbrida — presencial na sede da entidade, em Fortaleza, e com participação online — garantindo acesso a pessoas de outros estados interessadas na temática.

A atividade integra o projeto Fala Pajubá, um programa de formação continuada voltado à capacitação de comunicadores(as) para uma abordagem ética, inclusiva e antidiscriminatória nas narrativas midiáticas. A iniciativa é financiada pela Secretaria da Diversidade do Governo do Estado do Ceará (Sediv) e tem como missão transformar o jornalismo a partir de uma perspectiva que combata apagamentos, estigmas e opressões históricas contra corpos dissidentes.

A oficina foi conduzida pela professora doutora em educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Silvia Maria Vieira dos Santos, que apresentou um panorama histórico das lutas de gênero e sexualidade, além de exemplos concretos de erros comuns na cobertura jornalística.

“Costumam dizer que é apenas uma ‘sopa de letrinhas’, mas é preciso lembrar que cada letra representa uma vida, uma identidade, um direito. É sobre reconhecer e respeitar existências que historicamente foram silenciadas”, pontuou a educadora.

Rafael Mesquita, presidente do Sindjorce, destacou que a inclusão verdadeira exige mudanças estruturais na forma como as narrativas são construídas.

“O jornalismo tradicional sempre nos colocou como casos, anomalias, ou até ameaças. Chegou a hora de romper com essa lógica cisheteronormativa e construir uma nova ética do discurso”, afirmou.

Para Mesquita, o Fala Pajubá é mais que um espaço formativo — é um instrumento de disputa política. “Trata-se de reeducar os olhos, os enquadramentos e as palavras. Não basta incluir: é preciso transformar. E transformar é dizer quem importa, o que é notícia e como essa história será contada”, concluiu.

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