Subjetividade no jornalismo é debatida em conferência na UFC com participação de alunos do Programa Jovem Jornalista

Conferência “Subjetividade e posicionamento no jornalismo” realizada na UFC. (Foto: João Rodrigues – estudante do Curso de Jornalismo da UFC)

A Universidade Federal do Ceará (UFC) promoveu, nessa terça-feira (25), a conferência “Subjetividade e posicionamento no jornalismo”, que integrou a programação comemorativa pelos 60 anos do Curso de Jornalismo. A atividade reuniu estudantes, pesquisadores e profissionais para discutir como elementos subjetivos atravessam a prática jornalística e influenciam modos de narrar a realidade. Alunos do Programa Jovem Jornalista de Formação de Lideranças no Jornalismo Cearense participaram do encontro como parte do cronograma formativo das aulas do projeto.

A conferência foi conduzida pela jornalista, escritora e professora universitária Fabiana Moraes, um dos nomes mais premiados do Nordeste. Logo na abertura, ela provocou o público ao questionar: “Por que falar de subjetividade?”.

Fabiana explicou que sua reflexão sobre o tema começou a se consolidar no último capítulo do livro “O Nascimento de Joyce”, escrito por ela em 2015. Segundo a jornalista, a obra foi um ponto de partida, motivado tanto pela prática cotidiana da reportagem quanto por sua trajetória nas redações. Após o lançamento, ela seguiu estudando o assunto e aprofundando a discussão em diferentes frentes acadêmicas e profissionais.

Ao longo da fala, Fabiana ressaltou que a subjetividade sempre esteve presente no jornalismo, ainda que muitas vezes tratada como algo a ser ocultado. “As pessoas às vezes ficam bravas comigo e dizem que estou destruindo o jornalismo. Quando trago essa discussão, busco destacar um aspecto da profissão que, de certa maneira, foi suprimido ao longo do tempo, mas que é constitutivo da forma como enxergamos e narramos o mundo”, afirmou.

A jornalista destacou que a produção jornalística é, inevitavelmente, um espaço de reflexividade — e não de neutralidade absoluta. “A subjetividade sempre está posta. O que há é uma negação da subjetividade para se dizer mais imparcial”, explicou. Por isso, defendeu que o jornalismo assuma esse componente e reflita sobre como construir coberturas mais conscientes, especialmente quando envolvem direitos humanos e contextos de vulnerabilidade social.

A mesa teve mediação dos professores e jornalistas Ana Cláudia Peres e Magela Lima, e contou ainda com a participação dos estudantes Lívia Vieira e Lucas Matheus como cerimonialistas da solenidade.

Tarcísio Aquino, secretário-geral do Sindjorce, na conferência “Subjetividade e posicionamento no jornalismo”. (Foto: João Rodrigues – estudante do Curso de Jornalismo da UFC)

Durante o evento, o secretário-geral do Sindjorce, Tarcísio Aquino, saudou a comunidade acadêmica e ressaltou a relação histórica entre o sindicato e o Curso de Jornalismo da UFC. Ele lembrou que a criação do curso, há 60 anos, decorreu de uma articulação conjunta entre o Sindjorce e a Associação Cearense de Imprensa. Em sua fala, afirmou:

Celebramos com alegria seis décadas de um curso que é referência nacional. O Jornalismo da UFC nasceu de um esforço coletivo do sindicato e da Associação Cearense de Imprensa, uma parceria histórica que segue viva e necessária. Iniciativas como o Programa Jovem Jornalista reforçam nossa atuação conjunta pela construção de um jornalismo crítico, responsável e plural.

A presença dos alunos do Programa Jovem Jornalista no evento proporcionou uma vivência formativa relevante e os aproximou de debates essenciais sobre ética, narrativa, posicionamento e relações de poder no jornalismo.

O Programa Jovem Jornalista é uma iniciativa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce), com apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e financiamento do Governo do Estado do Ceará, por meio da Casa Civil. A proposta é formar novas lideranças comprometidas com o fortalecimento da categoria, com o sindicalismo e com a defesa da liberdade de imprensa.

 

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