“Curso Dandara dos Palmares – Gênero, Raça e Etnia na Comunicação” é aprovado em edital do Governo do Ceará

O Curso Dandara dos Palmares – Gênero, Raça e Etnia na Comunicação – leva o nome da liderança feminina negra que lutou contra o sistema escravocrata do século XVII e uma das principais comandantes do histórico Quilombo dos Palmares.

O projeto “Curso Dandara dos Palmares – Gênero, Raça e Etnia na Comunicação”, produzido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce), foi aprovado, em primeiro lugar na Categoria VI – Projetos Sociais de até R$ 30 mil, no Edital de Chamamento Público Nº 001/2019 do Governo do Ceará, que seleciona iniciativas apresentados por organizações da sociedade civil, viabilizando a celebração de parcerias, em regime de mútua cooperação. A formação gratuita abrirá inscrições em breve. Serão 50 vagas para profissionais da comunicação e estudantes de graduação em Jornalismo, Publicidade, Cinema e Rádio e TV.

Segundo o presidente do Sindjorce e diretor de Mobilização da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Rafael Mesquita, o Curso Dandara dos Palmares pretende preparar
profissionais da comunicação para o desenvolvimento de ações relacionadas à gênero, raça e etnia. “A ideia é promover, por meio da formação oferecida aos profissionais da área (jornalistas, repórteres fotográficos, publicitários/as, radialistas e comunicadores/as populares), a diversidade, a igualdade de gênero, o combate à violência contra a mulher e o racismo, além do fomento à cultura afro-brasileira, nos meios de comunicação”, afirma.

O Curso Dandara terá duração de 80 horas/aula, sendo 50 horas presenciais e 30 horas não presenciais, com produção de conteúdo para as aulas e tutoria. Ao final, os cursistas participam do seminário “Visibilidade com diversidade: recomendações para uma boa prática comunicativa”, com oito horas de duração, que será também aberto ao público interessado, com limite de 100 vagas. Os encontros, duas vezes por semana, acontecerão no auditório do Sindjorce. A iniciativa tem o apoio institucional da FENAJ.

“A ideia é contribuir com a educação continuada dos profissionais da comunicação para que, de posse de uma atitude crítica-reflexiva, ética e humanizadora, produzam conteúdo qualificado, com profundidade e com recorte de gênero, raça e etnia. Tem reflexos em curto, médio e longo prazo, inclusive na produção de matérias jornalísticas que sirvam para debater as políticas públicas específicas e apontar saídas para essas problemáticas que afligem
todo o tecido social cearense”, reforça Mesquita.

O presidente do Sindjorce lembra que, em 2018, o Sindicato e parceiros realizaram o inédito Curso Abdias Nascimento – Comunicação e Igualdade Racial, também fruto de financiamento via edital da Casa Civil, que possibilitou a formação, como curso de extensão universitária, de 40 participantes. O Curso Abdias Nascimento teve apoio da Secitece, da UECE, do IPEAFRO, da UNILAB, das Coordenadorias Especiais de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial do Ceará e de Fortaleza, dos alunos e professores do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC), por meio do Núcleo das Africanidades Cearenses (Nace) e do Coletivo Nacional de Juventude Negra (Enegrecer).

Visibilidade para mulheres negras e indígenas

Segundo a diretora de Comunicação, Cultura e Eventos do Sindjorce e Segunda Vice-Presidenta da FENAJ, Samira de Castro, além dos alarmantes índices de violência contra a mulher no Brasil e no Ceará – 536 mulheres sofreram agressão física a cada hora no Brasil em 2018 e uma mulher é vítima de feminicídio a cada 15 dias no Estado -, é preciso discutir a representatividade da mulheres negras e indígenas na mídia, que continuam invisibilizadas, sem o direito a ter suas opiniões veiculadas e ocupando os espaços socialmente naturalizados, como subalternas e exóticas.

“É preciso incluir, no fazer jornalístico, espaço para as diferentes experiências de desigualdades entre as mulheres (raça, etnia, idade, orientação sexual, etc), ouvir suas vozes nos mais variados campos e dar visibilidade à sua participação como sujeitas ativas na sociedade”, comenta Castro, uma das idealizadoras do Curso Dandara. Segundo ela, a promoção da igualdade de gênero com recorte de raça e etnia também passa pela contratação de jornalistas negras e indígenas nos jornais, rádios, revistas, televisões, mídias digitais e assessorias de imprensa. “E, ainda, pela adoção de uma perspectiva de gênero nas relações de trabalho, onde prevaleça a equidade no tratamento entre homens e mulheres”, pontua a dirigente sindical.

Cronograma das aulas

Passo 1 – Uma perspectiva de raça e etnia na Comunicação:

01/10/2019 – I Encontro: A Comunicação Negra no Brasil

03/10/2019 – II Encontro: há negros no Ceará? História do Movimento Negro no Ceará

08/10/2019 – III Encontro: Existe Racismo no Brasil? A Falácia da Igualdade Racial e o Folclore da População Negra

10/10/2019 – IV Reunião: Políticas Públicas e Desigualdade Racial

Passo 2 – Uma perspectiva de gênero na Comunicação:

15/10/2019 – V Encontro: A representação da mulher na mídia

17/10/2019 – VI Encontro: Mídia e Direitos da Mulher

22/10/2019 – VII Encontro: Mídia e combate à violência contra a mulher

24/10/2019 – VIII Encontro: Empoderamento político e econômico das mulheres

Passo 3 – Novas maneiras de comunicar:

29/10/2019 – IX Encontro: Mídia e Representatividade

31/10/2019 – X Reunião: Acompanhamento de Veículos de Comunicação e Projetos em Comunicação

14/11/2019 – Seminário “Visibilidade com diversidade: recomendações para uma boa prática comunicativa” para 100 profissionais e estudantes de comunicação, com 8 horas de duração

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