Home office: 86,2% dos jornalistas no CE utilizam equipamentos próprios e não são ressarcidos

À luz dos resultados da pesquisa, o Sindjorce está chamando uma plenária virtual, no dia 9 de novembro, às 18h30, pelo ZOOM,  para debater os contratos de home office 

A pandemia de Covid-19 trouxe uma nova realidade nas rotinas produtivas e no ambiente de trabalho para diversas categorias profissionais, entre elas, a dos jornalistas. Implantado a toque de caixa pelas empresas jornalísticas em março deste ano – a partir do primeiro decreto de isolamento do Governo do Estado – o home office, além de uma forma de garantia de manutenção do serviço essencial com a necessária redução do risco de contágio dos trabalhadores pelo novo coronavírus, trouxe alterações profundas para os jornalistas cearenses.

A pesquisa “Situação dos jornalistas cearenses na pandemia do novo coronavírus”, realizada pelo Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce), durante o mês de abril, mostra que, além de entrar com sua força de trabalho, os operários e operárias da notícia estão utilizando seus próprios instrumentos de trabalho para garantir a produção de informações no home office. Nada menos do que 72,4% dos respondentes afirmaram estar trabalhando de casa. Outros 13,8% estavam cumprindo jornadas mistas (parte home office e parte presencial).

Entre os respondentes que estavam trabalhando em home office, 34,5% disseram que utilizam computador;13,8% usam conexão de internet doméstica e 6,9% utilizam microfones. Outros meios utilizados relatados foram: smartphone, conexão de internet móvel, webcam, câmera portátil, gravador e softwares de transmissão e streaming. Cabe destacar que cerca de 20% dos jornalistas utilizavam pelo menos três meios desses para executar seu trabalho a partir de casa.

Questionados sobre a propriedade dos meios de trabalho utilizados no home office, 86,2% dos respondentes afirmaram que trabalham com meios/equipamentos próprios, ao passo em que 13,8% disseram que parte são próprios e outros fornecidos pela empresa. Quando a pergunta foi sobre ressarcimento, por parte dos empregadores, de despesas acarretadas na execução do trabalho (energia elétrica, telefone e internet, por exemplo), 100% dos respondentes afirmaram que não estão sendo ressarcidos pelos patrões.

O levantamento do Sindjorce revela, ainda, que 34,5% dos respondentes consideravam o ritmo de trabalho muito mais pesado do que antes da pandemia, situação evidenciada nas respostas abertas sobre o que mudou na rotina de trabalho. “Estou trabalhando mais do que o normal. Fora a terceira jornada, que é cuidar do filho e da casa. Nos primeiros 15 dias de isolamento, praticamente trabalhei sem folga, sem feriado. Começou a normalizar na semana passada”, disse um dos respondentes em questão aberta.

“Eu só trabalhava 5 horas por dia, agora estou trabalhando o dia todo, sem hora para acabar e nos feriados e fins de semana, normalmente, tem demanda”, respondeu outra pessoa. “Sinto que há mais dificuldade das pessoas respeitarem o horário normal de trabalho, feriados e fins de semana, mesmo quando se trata de assuntos que não são urgentes”, disse outro profissional. “Perdi 25% do salário e trabalho o dobro”, comentou um jornalista.

“Os dados mostram que são os trabalhadores que estão arcando com os custos do home office. É o velho pagando pra trabalhar e isso é inadmissível. Mostra que temos que continuar pressionando os empregadores para garantirem o ressarcimento das despesas ou a cobertura dos custos”, avalia Rafael Mesquita, presidente do Sindjorce e diretor de Mobilização da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).

Para o dirigente sindical, é necessário ainda desenhar regras específicas para esta modalidade de trabalho, que acarreta mudanças significativas nas rotinas produtivas dos trabalhadores do Jornalismo. Diante da situação diagnosticada, o Sindjorce vai realizar uma plenária virtual com a categoria, no dia 9 de novembro (segunda-feira), a partir das 18h30, via ZOOM.

Mesquita acrescenta que a faixa salarial da maioria dos respondestes (20,7%) concentra-se entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil e de R$ 4 mil a R$ 5 mil (20,7% também). “Se levarmos em conta que 48,3% declararam trabalhar em mídia tradicional, estamos falando de trabalhadores que estão há dois anos sem reajustes salariais e exercendo suas funções, a partir de suas casas, sem qualquer tipo de suporte das empresas, sejam ergonômicos, sejam financeiros”, pontua.

Principais resultados

48,3% trabalham em empresa de mídia tradicional

17,2% trabalham em assessoria de Comunicação

6,9% trabalham em organização não-governamental

6,9% trabalham em secretaria municipal

6,9% trabalham em mídia alternativa/independente/comunitária/sindical

72,4% estão trabalhando em home office

13,8% estão cumprindo jornadas mistas

62,1% trabalham no suporte/meio internet

27,6% trabalham no suporte/meio impresso

24,1% trabalham no suporte/meio televisão

13,8% trabalham no suporte/meio rádio

86,2% trabalham com meios/equipamentos próprios

100% não estão sendo ressarcidos por despesas (energia, internet, telefonia)

34,5% consideram o ritmo de trabalho muito mais pesado do que antes da pandemia

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