Assembleia do CE aprova moção de repúdio à postura de Bolsonaro contra jornalistas

O plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará aprovou, na manhã desta quinta-feira (12/03), moção de repúdio à postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra a imprensa e os jornalistas. De autoria do deputado estadual Renato Roseno (PSOL), o requerimento critica as repetidas agressões do presidente contra os veículos de imprensa e, em particular, o gesto de escárnio encenado por um humorista em resposta aos questionamentos dos jornalistas relativos ao pequeno crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2019.

Na manhã do último dia 4, nos portões do Palácio da Alvorada, um grupo de jornalistas aguardava o presidente da República para questioná-lo acerca do resultado econômico abaixo do esperado referente ao crescimento do PIB. Ao ser questionado sobre o crescimento de apenas 1,1%, o Presidente respondeu: “PIB? PIB? Pergunta o que é PIB”, dirigindo as perguntas a um humorista que o imitava com faixa presidencial e demais adereços que simbolizam a investidura do cargo. Ambos estavam ombreados dentro do cordão de segurança e cercado por todo o aparato oficial da Presidência da República.

Na oportunidade, o comediante distribui bananas aos repórteres e demais profissionais presentes, em claro desdém às atividades exercidas pelos veículos de comunicação. “A liberdade de imprensa é um preceito constitucional e consiste em um pilar da democracia”, afirma Renato no requerimento aprovado. “Diante da gravidade do fato e do compromisso democrático e republicano que esta Assembleia Legislativa possui com o povo cearense, solicitamos apoio do plenário a fim de aprovar esta Moção de Repúdio à encenação que desdenhou dos questionamentos relativos ao crescimento do PIB e da atividade jornalística”.

Para o deputado, o crescimento pífio do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 revela a tragédia econômica promovida pelo governo Bolsonaro e pela política econômica de Paulo Guedes. “É uma vergonha”, classifica o parlamentar. “É o menor avanço dos últimos três anos. O consumo das famílias é o pior desde 2016, a taxa de desemprego continua elevada, o mercado de trabalho se precarizou e a proteção social está se acabando. É uma tragédia, é aterrador o país desenhado na cabeça de Bolsonaro e Guedes”.

Segundo o parlamentar, trata-se de um governo voltado apenas para os interesses dos rentistas e dos banqueiros. “Ele está promovendo uma profunda desindustrialização. Há fuga de capitais e as indústrias estão saindo do Brasil porque não há confiança nesse governo”, afirma Renato. “A economia como um todo vai muito mal, há aumento do emprego informal e precário, mal remunerado, e destruição da proteção social”.

Renato também denuncia que o fracasso econômico revela a farsa da campanha de 2018. “Eles tinham um discurso mentiroso de nacionalismo na campanha. É mentira, eles não são nacionalistas, eles são contra o povo brasileiro, eles são contra o país”, afirma. “É um governo que quer nos colocar ajoelhados diante das grandes potências internacionais. É preciso outro projeto de país que eles não são capazes de apresentar”.

Ataques aos jornalistas

ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência da República afetou significativamente a liberdade de imprensa no Brasil. Em 2019, segundo o Relatório da Violência contra Jornalistas e liberdade de Imprensa, o número de casos de ataques a veículos de comunicação e a jornalistas chegou a 208, um aumento de 54,07% em relação ao ano anterior, quando foram registradas 135 ocorrências.  O levantamento é da  Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).

Em um ano de governo, o presidente Jair Bolsonaro, sozinho, foi o responsável por 121 casos (58,17% do total) de ataques a veículos de comunicação e a jornalistas. Foram 114 ofensivas genéricas e generalizadas, além de sete casos de agressões diretas a jornalistas, totalizando 121 ocorrências.  

A maioria dos ataques de Bolsonaro foi feita em divulgações oficiais da Presidência da República (discursos e entrevistas do presidente, transcritos no site do Palácio do Planalto) ou no Twitter oficial de Bolsonaro. Foram 116 casos, já denunciados pela FENAJ em divulgação específica. A esses, somaram-se outros cinco casos de agressões feitas em entrevistas/conversas com jornalistas que não foram reproduzidas no site do Palácio do Planalto.      

Com informações da assessoria do deputado Renato Roseno

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