Pandemia de Covid-19 ressalta importância social do trabalho dos jornalistas, diz assessor

“Reportar não significa apenas replicar. É preciso entender os dados e questioná-los para melhor informar a população”. O alerta é do jornalista Paulo Jefferson Pereira Barreto, que foi o facilitador da oficina “Cobertura de crises na Saúde: Caso Coronavírus”, realizada no último sábado (04/04), pelo Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce). A atividade, que integra o Programa de Qualificação e Aperfeiçoamento Profissional Sindjorce Qualifica, foi totalmente gratuita e online, contando com a participação de cerca de 35 pessoas.

Assessor de comunicação no Núcleo de Tecnologias e Educação a Distância em Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Paulo Jefferson fez uma contextualização geral do debate sobre Comunicação em Saúde em situações de risco; abordou dados iniciais sobre a confiança no trabalho dos jornalistas;falou sobre os desafios e perspectivas para pautar a área da Saúde e destacou o rigor profissional em tempos de pandemia. Também dialogou um pouco sobre como a desinformação afeta a saúde.

“Estamos vivendo um momento de estresse social muito grande, afetando a saúde física, emocional e financeira das pessoas” frisou o facilitador, alertando que o ciclo midiático pandêmico – que exige atualização em tempo real das notícias nos veículos jornalísticos de massa – gera uma enxurrada de informações que satura a população, em vez de auxiliá-la a tomar decisões e consciência cidadã. “As pessoas precisam absorver, filtrar e entender os dados”, comentou. Daí a importância na contextualização dos números, por exemplo.

Para o jornalista, a atual pandemia provocada pelo Coronavírus destacou a relevância do papel dos profissionais da mídia na vida das pessoas. “O Relatório Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil mostrou que 49% dos brasileiros confiam nos médicos, 38% nos jornalistas e 34% em cientistas de instituições públicas”, pontou. Por isso, a pauta em Saúde precisa ser trabalhada em toda a sua multidisciplinaridade, com base em fontes confiáveis, com rigor ético e profissional.

“Não noticiar não é uma opção para nós (jornalistas). Mas é preciso que, numa crise em Saúde, quando a pauta é o próprio dado, a gente qualifique esse dado. Mas não no sentido de adjetivá-lo e sim de explicá-lo ao público”, resumiu Paulo Jefferson.

O facilitador comparou a cobertura jornalística da tríplice epidemia de Zika-Dengue-Chikungunya (2016) com a atual pandemia e reforçou a responsabilidade dos jornalistas na coleta e divulgação de dados. E destacou algumas iniciativas de veículos alternativos que estão cobrindo a Covid-19, como Ponte Jornalismo, Marco Zero Conteúdo e Agência Pública. Disse, ainda, da possibilidade de crescimento do jornalismo local nesse momento de isolamento social (como um serviço para a população) e de pautas e serem exploradas, como impactos econômicos do não-isolamento; coronavírus e periferias e o percurso da doença em sua relação com a desigualdade social.

Pontos importantes na cobertura de crises em Saúde:

Apure – Cautela com as informações que chegam em tempo real.
Informação é decisão – Quais diretrizes são realmente importantes para promover a saúde, não a doença.
Responsabilidade emocional –  Medo é a emoção que mais vende. Mas envolver o público
não significa ser apelativo.
A abordagem da pessoa –  Cuidado para não estigmatizar. Mantenha a privacidade das pessoas.
Palavras têm carga semântica – A escolha delas afeta a percepção sobre o problema de saúde pública.
Não explore a pandemia para gerar cliques –  Não há necessidade de relacionar o que não tem relação.
Reconheça os efeitos do seu conteúdo – Nossa conduta online tem consequências na manutenção do ciclo midático pandêmico.
Ajude a desinfetar o feed – Filtre as informações que realmente merecem
destaque na pandemia.[ VER DOCUMENTO ]

Por: Samira de Castro

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