Sindjorce reforça processo de organização e fortalecimento da categoria no Cariri

A passagem da comitiva de representantes do Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce) pelo Cariri, como viagem inaugural do Projeto Sindjorce Itinerante, no período de 21 a 23 de setembro, reascendeu o sentimento de mobilização coletiva e plantou a semente da Primavera dos Jornalistas Cearenses. “Iniciamos a base para um movimento de valorização profissional, organização classista e compreensão do papel do Jornalismo e dos jornalistas na sociedade”, resume a presidente do Sindicato, Samira de Castro.

As precarizações, o desmonte e os ataques aos direitos trabalhistas estiveram na pauta da atividade que apontou como horizonte a implantação de uma delegacia regional do Sindjorce, como forma de organizar a categoria, por meio do fortalecimento da luta sindical na base regional do Cariri.

De acordo com o delegado junto à FENAJ, Washington Feitosa, a região do Cariri é considerada um foco de resistência e palco de grandes lutas por mais dignidade e democracia para o seu povo. “Um exemplo dessa postura combativa é o Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, um dos movimentos messiânicos que surgiu nas terras do Crato, liderado pelo beato José Lourenço”, conta.

“Consideramos o Cariri o segundo polo de produção jornalística e mercado de trabalho do Estado”, reforçou Washington Feitosa. E a próxima atividade do Sindjorce nas cidades de Juazeiro do Norte e Crato já está pré-agendada para a terceira semana de outubro, quando serão entregues carteiras de jornalistas, assim como realizados novos atendimentos, com sindicalizações e emissão de identidades profissionais. Já está também sendo estudado para a data um evento do Sindicato na UFCA.

Maratona de visitas e entrevistas

Durante três dias, em Juazeiro do Norte e Crato, a diretoria cumpriu uma intensa agenda de visitas aos principais locais de trabalho (redações de rádios, revistas, TVs e jornais), conversando com a categoria para entender a realidade do mercado local, além de distribuir materiais, como a Cartilha do Jornalista 2017.

Os diretores do Sindjorce também concederam entrevistas aos veículos de rádio e televisão locais e participaram do lançamento de três publicações dos estudantes de Jornalismo da Universidade Federal do Cariri (UFCA), na quinta-feira, dia 21/09. Os jornais “Entre Linhas” e “Sertão Transviado” e a revista “Caracteres”, produzidas pelos universitários, chamaram atenção pela qualidade editorial e, sobretudo, pela atualidade dos temas tratados, que dialogam com o papel da atividade jornalística defendida pelo Sindicato.

Participação expressiva na plenária

No sábado, dia 23 de setembro, o ponto alto da programação foi uma roda de conversa, realizada no Instituto Cultural do Crato (ICC), que contou com a presença massiva de profissionais e estudantes de jornalismo que debateram, por quase quatro horas, os desafios e perspectivas do mercado de trabalho na região. No período da manhã, o Sindjorce disponibilizou serviços de atendimento aos profissionais e estudantes interessados em sindicalização e pré-sindicalização, respectivamente, bem como a emissão da Carteira Nacional de Jornalista, documento de identificação profissional emitido em todo o país pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).

Jeorge Machado Ulisses de Alencar, primeiro repórter cinematográfico a ser registrado no interior do Ceará e que trabalhou na TV Verdes Mares por 14 anos, destacou a importância da obtenção do registro profissional e sindicalização para o fortalecimento da categoria. “Com isso, o profissional trabalha com tranquilidade e a sociedade é beneficiada com profissionais comprometidos com a ética e o respeito à cidadania”, comentou.

Prestes a concluir a graduação em Jornalismo pela UFCA, o estudante Breno Árlet afirmou ser importante que o Sindicato dos Jornalistas tenha estabelecido esse primeiro contato com os estudantes e profissionais da Comunicação na região. “Os jornalistas, têm passado por um processo de desvalorização muito grande. Então, é importante o Sindicato se aproximar dos estudantes e dos profissionais da região para vir a garantir mais direitos para a nossa profissão, principalmente, para nós estudantes, que vamos sair na universidade”, disse.

Já a jornalista Elizângela Santos afirmou que a valorização da profissão depende tanto da organização da categoria quanto do esforço de cada profissional. “O Sindicato é a resistência hoje no Brasil porque existe uma luta muito grande para enfraquecer a luta sindical, que é o instrumento que o trabalhador brasileiro tem para lutar e se unir. Não existe esse negócio de ter medo de patrão, não! A gente precisa é ter consciência do nosso papel na sociedade”, destacou.

Atendimento das demandas

“Saímos da região com demandas para colocar em prática, a começar por um mapeamento das condições de trabalho dos jornalistas do Cariri. Com isso, nossa primeira grande meta é lutar para a garantia dos pisos salariais e da jornada de trabalho de 30 horas semanais, que será acompanhada por uma campanha de valorização profissional da categoria, a ser implantada especialmente nos polos de comunicação do interior do Estado”, destaca o secretário-geral do Sindjorce, Rafael Mesquita.

Outros encaminhamentos construídos, conforme o dirigente, são: realizar o Encontro Regional dos Jornalistas e Estudantes de Jornalismo do Cariri; implantar os “Encontros Universitários Sindjorce”, que foi meta do Congresso Extraordinário realizado em agosto; levar formações para a região, como o curso de repórter cinematográfico e as oficinas em assessoria de imprensa; defender que as homologações de rescisões de contratos de trabalho sejam acompanhadas pelo Sindjorce; continuar o processo de filiação na região (a fim de constituir número suficiente de profissionais sindicalizados que possam garantir a instalação da delegacia regional do sindicato); e estudar a possibilidade de oferecer atendimento jurídico do Sindicato permanentemente na localidade.

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