Nota pública sobre artigo golpista publicado pelo jornal O Povo

Não é liberdade de expressão se suas palavras exprimem o desejo de suprimir liberdades, inclusive aquela manifestada pelo povo em consulta direta, realizada nas urnas. Não é liberdade de expressão quando suas palavras, cercadas de seu achismo e sem qualquer comprovação, defendem a quebra da ordem democrática e o ataque às instituições da República, sem que haja qualquer motivo real ou comprovação de corrupção de sistema, além de alegações que só se perpetuam em grupos de extremistas políticos no WhatsApp que produzem desinformação. Simplesmente, não é.

Liberdade de expressão, direito tão caro a nós jornalistas e à sociedade, não é algo que possa ser usurpado para defender uso de força para tomada de poder ou qualquer outra ideia descabida que nos remeta a tempos sombrios de nossa história, onde, inclusive, essa mesma liberdade foi retirada por meio de Ato Institucional.

Que existam pessoas que ignoram os princípios básicos que separam civilização de barbárie, ainda nos tempos atuais, é de se lamentar. Mas, ver um jornal referendar a postura criminosa dessa defesa, é para nós, jornalistas, inadmissível!

Ainda que disfarçada de opinião do autor, na forma de artigo, o jornal é responsável direto quando permite a publicação de tamanho acinte que, inclusive, ataca diversas linhas de sua própria carta de princípios.

Aproveitamos a ocasião para lembrar que, embora o autor não seja jornalista, ainda assim temos um código de ética que deve ser respeitado e seguido como base mínima para a conduta ética em veículos de notícias.

Não é a primeira vez que vemos a imprensa cearense e o jornal em específico dar palco para posicionamentos que ferem os princípios democráticos, sob a farsa da imparcialidade, quando na verdade está germinando a semente do que há de mais retrógrado na política brasileira atual. É papel não só do sindicato, mas de toda a sociedade civil cobrar coerência aos veículos de comunicação.

Opiniões políticas podem e devem ser divergentes no Estado Democrático de Direito, defender essa liberdade e todas as demais não pode ser artifício para a defesa de regimes de exceção. Dizemos isso sob pena de num futuro sermos iguais aqueles que no passado defenderam erroneamente ditadores que realizaram verdadeiros atos de extermínio do povo, como Hitler, Mussolini ou Salazar.

Lembramos também, que as forças armadas têm deveres para com seu povo, estando a serviço do Estado para a garantia de nosso desenvolvimento e soberania. Não cabe a elas o papel de patrulha do voto popular e de imposição da vontade de arroubos traidores previstos como crime doloso pela LEI 14.197/21.


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